O workshop reuniu pesquisadores, representantes do governo, integrantes da Petrobras e especialistas do setor energético para discutir como a empresa pode se posicionar de forma mais estratégica na transição para uma economia de baixo carbono. O encontro ocorreu em um momento de tensão estrutural: de um lado, a Petrobras mantém resultados excepcionais com a produção de petróleo; de outro, precisa se posicionar diante das mudanças em curso no sistema energético global.
Desde o início ficou claro que a Petrobras opera em um ambiente marcado por contrastes. O pré-sal vive uma fase de alta produtividade e baixo custo, garantindo ao Brasil uma posição central na expansão global da oferta de petróleo. Ao mesmo tempo, pressões climáticas, novas regulações internacionais e transformações nas cadeias industriais de energia exigem que a empresa olhe para além do horizonte imediato. O desafio é equilibrar o peso do presente com a urgência do futuro e fazer isso sem perder competitividade e sem ameaçar a segurança energética nacional.
A matriz elétrica brasileira já é majoritariamente renovável, com destaque para hidrelétricas, eólicas e bioenergia. Ainda assim, os combustíveis fósseis respondem por cerca de metade do consumo total de energia, sobretudo no transporte. A produção de petróleo e gás — dominada pela Petrobras e concentrada no pré-sal — cresceu rapidamente, tornando o Brasil exportador líquido. Embora os hidrocarbonetos representem uma parcela relativamente pequena das receitas públicas, são vitais para alguns orçamentos subnacionais, o que complica a transição.
Institucionalmente, a governança energética e climática do país permanece fragmentada: órgãos técnicos fortes operam com pouca coordenação, permitindo que políticas de expansão fóssil coexistam com a retórica da transição verde. O governo argumenta que as receitas do petróleo podem financiar a descarbonização, mas esse vínculo ainda é mais aspiracional do que efetivo.
O relatório identifica oportunidades de liderança à medida que o Brasil se prepara para sediar o G20 e a COP30. Reduzir subsídios a combustíveis fósseis, direcionar receitas do petróleo para inovação e conservação florestal e adotar instrumentos fiscais, como um imposto sobre carbono, podem impulsionar uma transição justa e credível. O desafio — e a oportunidade — do Brasil é transformar sua riqueza de recursos em base para a industrialização verde e o desenvolvimento equitativo, oferecendo um modelo para outros produtores de combustíveis fósseis do Sul Global.
Embora a matriz elétrica brasileira seja majoritariamente renovável, os combustíveis fósseis ainda sustentam o transporte e a indústria. O governo criou iniciativas como o RenovaBio, o Mover e o programa Combustível do Futuro, voltadas a biocombustíveis, combustíveis sustentáveis de aviação, biometano e captura de carbono. No entanto, o transporte de longa distância segue difícil de descarbonizar, e planos de exploração na Margem Equatorial podem gerar novos passivos de carbono e riscos de ativos encalhados.
Com custos baixos e emissões reduzidas na extração, o petróleo brasileiro tende a manter-se competitivo no médio prazo, mas a queda da demanda global pode reduzir receitas de royalties e dividendos. O relatório propõe redirecionar a renda do petróleo para inovação e diversificação produtiva: aprimorar a gestão das receitas; integrar biomassa e infraestrutura fóssil para escalar combustíveis de baixo carbono; mobilizar a Petrobras para construir cadeias verdes; e fortalecer cooperação com China e União Europeia.
O estudo conclui que o setor é resiliente, mas ainda não transformador — preparado para resistir à transição, mas carente de coerência política para converter riqueza fóssil em prosperidade sustentável.