Guest

Laís Garcia

Head of renewable energy at the Brazilian Ministry of Foreign Affairs

Energy Diplomacy and Biofuels: Brazil’s Strategic Role – Laís Garcia, Itamaraty

Episode 1 of the Caminhos da Transição podcast welcomes Laís Garcia, head of renewable energy at the Ministry of Foreign Affairs, Itamaraty

The energy transition will not be decided by technologies alone, but by rules, standards and diplomatic disputes. In the premiere episode of Caminhos da Transição we show why foreign policy is one of the decisive fields for the energy future of Brazil and the Global South.

Pathways of Transition is the official podcast of the Center for Energy, Finance and Development (CEFD) presented by Nicolas Lippolis, executive director of CEFD, and Aline Scherer, journalist.

To launch the first season of the podcast, we spoke with Laís Garcia, career diplomat and head of the Renewable Energy Division at Itamaraty. The conversation reveals how apparently technical issues – such as certification, accounting for emissions and defining “green products” – are at the center of the economic and geopolitical disputes of the transition.

The energy transition as a political dispute

The energy transition goes far beyond technological innovation or climate ambition. It is a mainly political process, which involves decisions about who sets the rules of the game, which technologies scale and how costs and benefits are distributed between countries.

Laís argues that, for developing countries like Brazil, the transition will only be successful if it is fair, equitable and inclusive. Solutions designed exclusively based on the reality of advanced economies tend to ignore structural challenges of the Global South, such as poverty, industrialization and job creation.

Rules, diplomacy and market access

One of the central themes of the interview with Laís Garcia is the importance of international rules. Having comparative advantages in renewable energy, biomass or natural resources is not enough if these advantages are not recognized in global markets.

The episode addresses how debates about sustainability criteria, emissions calculation methodologies, certification and financing take place in forums such as the G20, the BRICS, the COP, the International Civil Aviation Organization (ICAO) and the International Maritime Organization (IMO). Being absent from these spaces means accepting standards defined by others.

Green industrialization and the Brazilian agenda

The conversation also addresses green industrialization as a pillar of Brazilian strategy. Laís comments on the Declaration of Belém, launched in the context of COP30, as an effort to align climate action, industrial policy and social inclusion.

The central message: there is no sustainable energy transition without creating jobs, strengthening industry and generating local value. For Brazil, this involves transforming existing assets – such as abundant renewable energy, biofuels and bio-inputs – into economic competitiveness.

Biofuels, technological neutrality and life cycle

Another important theme of the episode is the discussion about biofuels and technological neutrality. Laís clarifies that neutrality does not mean perpetuating polluting sources, but evaluating solutions based on the intensity of emissions throughout the entire life cycle.

She explains why Brazil advocates “cradle to grave” analysis methodologies, avoiding regulatory distortions that favor certain technologies for political or commercial reasons – a central discussion for emerging markets such as sustainable aviation fuels (SAF) and marine fuels.

<p>00;00;00;00 – 00;00;02;24<br />Então a gente precisa aproveitar<br />esse momento</p><p>00;00;02;24 – 00;00;06;13<br />pra olhar pro biocombustíveis<br />com novos olhos</p><p>00;00;06;13 – 00;00;10;07<br />e esses olhos mesmo,<br />de criar esses mercados globais.</p><p>00;00;10;07 – 00;00;14;12<br />E aí para a gente criar esses mercados<br />globais, a gente vai precisar conversar</p><p>00;00;14;12 – 00;00;18;07<br />e concordar sobre as regras de produção,<br />de comercialização,</p><p>00;00;18;07 – 00;00;20;07<br />de certificação desses combustíveis.</p><p>00;00;20;07 – 00;00;21;03<br />Então a gente tem</p><p>00;00;21;04 – 00;00;24;03<br />procurado participar desse debate<br />com muito afinco,</p><p>00;00;24;03 – 00;00;28;20<br />porque a gente acha que os combustíveis<br />têm um papel na transição energética,</p><p>00;00;28;27 – 00;00;33;02<br />em se afastar dos combustíveis fósseis,<br />porque a gente precisa criar substitutos</p><p>00;00;33;02 – 00;00;34;09<br />para os combustíveis fósseis</p><p>00;00;34;09 – 00;00;37;10<br />e a gente precisa fazer isso,<br />como eu disse, de uma maneira justa,</p><p>00;00;37;10 – 00;00;41;21<br />de uma maneira equitativa<br />e de forma que todos os países possam</p><p>00;00;41;21 – 00;00;44;26<br />competir e participar<br />desses mercados globais também.</p><p>00;00;54;09 – 00;00;58;05<br />Olá, eu sou Nicolas Lippolis<br />e esse é o Caminhos da Transição</p><p>00;00;58;17 – 00;01;01;23<br />o podcast do Centro de Energia,<br />Finanças e Desenvolvimento,</p><p>00;01;02;06 – 00;01;05;24<br />que promove conversas com as principais<br />vozes da transição energética</p><p>00;01;06;02 – 00;01;08;12<br />no Brasil e no mundo.</p><p>00;01;08;12 – 00;01;11;16<br />A cada episódio nós abordamos<br />questões centrais da transição energética</p><p>00;01;11;29 – 00;01;14;02<br />com foco em soluções inovadoras</p><p>00;01;14;12 – 00;01;17;26<br />e políticas públicas capazes<br />de destravar os principais obstáculos</p><p>00;01;18;04 – 00;01;21;04<br />na passagemn para uma economia de baixo carbono.</p><p>00;01;21;04 – 00;01;23;24<br />No episódio de hoje, vamos falar<br />sobre a diplomacia energética</p><p>00;01;23;24 – 00;01;25;11<br />e o papel estratégico do Brasil.</p><p>00;01;25;11 – 00;01;28;10<br />Olá, eu sou a Aline Scherer<br />e tenho a honra de apresentar</p><p>00;01;28;10 – 00;01;33;06<br />a nossa convidada deste episódio:<br />Laís Garcia é chefe da Divisão de Energia</p><p>00;01;33;06 – 00;01;36;17<br />Renovável do Ministério das Relações<br />Exteriores, o Itamaraty.</p><p>00;01;36;17 – 00;01;39;12<br />É diplomata de carreira há quase 20 anos.</p><p>00;01;39;12 – 00;01;43;26<br />Ela também atua como presidente<br />da Associação das Mulheres Diplomatas do Brasil.</p><p>00;01;44;04 – 00;01;47;01<br />Laís, seja muito bem vinda<br />ao caminho da transição.</p><p>00;01;48;29 – 00;01;50;26<br />Muito obrigado, Nicolas, Aline</p><p>00;01;50;26 – 00;01;53;26<br />é um prazer e uma honra para mim<br />conversar com vocês.</p><p>00;01;54;16 – 00;01;57;25<br />Laís, a transição energética<br />é um desafio global,</p><p>00;01;57;25 – 00;02;00;18<br />mas ela também oferece<br />uma oportunidade imensa</p><p>00;02;00;18 – 00;02;03;28<br />e o Brasil tem se posicionado<br />de uma forma muito ativa nesse cenário.</p><p>00;02;04;20 – 00;02;08;11<br />Por que a diplomacia<br />é tão importante para a transição</p><p>00;02;08;23 – 00;02;11;15<br />e qual o papel do Itamaraty para moldar</p><p>00;02;11;15 – 00;02;14;20<br />o futuro energético do Brasil e do mundo?</p><p>00;02;14;20 – 00;02;19;13</p><p>A transição<br />certamente é um dos grandes desafios</p><p>00;02;19;16 – 00;02;23;17<br />que estamos vivendo como humanidade<br />e a necessidade</p><p>00;02;23;17 – 00;02;26;17<br />de reduzir as emissões no setor energético</p><p>00;02;26;18 – 00;02;30;05<br />e, ao mesmo tempo, garantir acesso<br />à energia e desenvolvimento.</p><p>00;02;30;17 – 00;02;37;03<br />Então, o Brasil<br />vê a transição como esse e esse futuro</p><p>00;02;37;03 – 00;02;40;04<br />o que pode ser muito</p><p>00;02;40;08 – 00;02;43;08<br />importante para os países, especialmente<br />os países em desenvolvimento.</p><p>00;02;43;13 – 00;02;47;27<br />Caso a gente navegue<br />esse caminho da transição, com justiça,</p><p>00;02;47;27 – 00;02;52;16<br />com equidade, com inclusão,<br />então o papel do Itamaraty</p><p>00;02;52;16 – 00;02;56;05<br />é garantir que as visões do Brasil<br />nessas discussões</p><p>00;02;56;05 – 00;03;00;08<br />sobre transição energética<br />reflitam as necessidades,</p><p>00;03;00;15 – 00;03;04;27<br />os objetivos e as prioridades do Brasil<br />e do governo brasileiro.</p><p>00;03;05;08 – 00;03;08;08<br />E a gente tem feito isso<br />com bastante afinco</p><p>00;03;08;08 – 00;03;10;24<br />nesses últimos anos,<br />que têm sido bem intensos</p><p>00;03;10;24 – 00;03;14;07<br />para a agenda de transição energética.<br />Nesses últimos anos</p><p>00;03;14;25 – 00;03;17;06<br />nós tivemos a oportunidade</p><p>00;03;17;06 – 00;03;20;27<br />de sediar grandes eventos internacionais</p><p>00;03;20;27 – 00;03;24;06<br />multilaterais e isso deu para nós</p><p>00;03;24;06 – 00;03;27;29<br />a oportunidade ainda mais intensa</p><p>00;03;27;29 – 00;03;33;03<br />de moldar esses debates<br />e fazer o debate da transição energética</p><p>00;03;33;03 – 00;03;37;00<br />sob a perspectiva do Brasil,<br />sob a perspectiva dos países em desenvolvimento</p><p>00;03;37;00 – 00;03;40;22<br />Então, eu citaria o G-20,<br />o BRICS e a COP 30,</p><p>00;03;40;22 – 00;03;44;18<br />como esses últimos eventos<br />que permitiram ao Brasil também</p><p>00;03;45;05 – 00;03;48;05<br />dar esse tom para a transição energética</p><p>00;03;48;11 – 00;03;51;14<br />que a gente valoriza e quer promover</p><p>00;03;52;09 – 00;03;55;14<br />Essa projeção internacional<br />nos leva a um ponto crucial:</p><p>00;03;55;25 – 00;03;57;04<br />a transição energética</p><p>00;03;57;04 – 00;04;01;12<br />não pode ser um processo que aprofunda<br />desigualdades e, pelo contrário,</p><p>00;04;01;22 – 00;04;05;21<br />ela precisa ser justa, especialmente<br />para os países em desenvolvimento.</p><p>00;04;06;12 – 00;04;10;04<br />Só que muitas vezes, as soluções<br />que os países desenvolvidos propõem</p><p>00;04;10;16 – 00;04;13;16<br />não se encaixam nas realidades dos países<br />em desenvolvimento,</p><p>00;04;14;05 – 00;04;17;14<br />principalmente a questão da pobreza,<br />que continua sendo um grande desafio</p><p>00;04;17;24 – 00;04;20;01<br />e que tem que estar no centro<br />de qualquer política de transição.</p><p>00;04;21;02 – 00;04;24;05<br />Na COP 30 foi lançada a Declaração de Belém</p><p>00;04;24;05 – 00;04;27;19<br />para a industrialização Verde,<br />que é um exemplo claro disso.</p><p>00;04;28;14 – 00;04;31;13<br />Não podemos pensar<br />no sistema energético do futuro</p><p>00;04;31;16 – 00;04;35;04<br />sem considerar a importância da criação<br />de empregos e da inclusão social.</p><p>00;04;36;06 – 00;04;39;00<br />Como o Brasil<br />e outros países do Sul Global</p><p>00;04;39;00 – 00;04;41;20<br />podem promover uma iindustrialização verde?</p><p>00;04;41;20 – 00;04;45;03<br />E qual o papel da diplomacia nisso?<br />Obrigado por essa pergunta, Nicolas.</p><p>00;04;45;03 – 00;04;49;10<br />Porque a industrialização<br />verde sustentável</p><p>00;04;49;10 – 00;04;52;13<br />foi um dos grandes temas<br />que a gente trabalhou na COP 30</p><p>00;04;53;04 – 00;04;56;10<br />com muito afinco também,<br />principalmente na Agenda de Ação.</p><p>00;04;56;27 – 00;05;01;14<br />E eu fiquei muito feliz<br />com o resultado que a gente</p><p>00;05;01;14 – 00;05;05;02<br />teve em torno da Declaração de Belém<br />sobre a industrialização limpa,</p><p>00;05;05;02 – 00;05;08;08<br />que tem mais de 34 apoios entre países,</p><p>00;05;08;08 – 00;05;12;19<br />organismos internacionais.</p><p>00;05;12;22 – 00;05;15;03<br />O terceiro setor<br />também ficou muito engajado</p><p>00;05;15;03 – 00;05;18;29<br />porque, na verdade, eu<br />acho que a Declaração de Belém demonstra</p><p>00;05;19;16 – 00;05;24;15<br />como o Brasil quer que o tema<br />da transição energética seja abordado</p><p>00;05;24;15 – 00;05;27;16<br />de maneira a contemplar os interesses<br />dos países em desenvolvimento.</p><p>00;05;27;21 – 00;05;29;24<br />E isso quer dizer o quê exatamente?</p><p>00;05;29;24 – 00;05;33;05<br />Quer dizer que essa nova indústria<br />que está sendo criada</p><p>00;05;33;05 – 00;05;36;09<br />e que pode ser criada<br />pode ser muito maior do que ela é,</p><p>00;05;36;18 – 00;05;42;16<br />ela precisa contemplar os interesses,<br />as particularidades dos países</p><p>00;05;42;16 – 00;05;45;16<br />em desenvolvimento<br />e do que eu estou falando exatamente?</p><p>00;05;45;18 – 00;05;50;19<br />A gente tem gostado muito de dar exemplos<br />claros para deixar a coisa</p><p>00;05;51;17 – 00;05;53;28<br />mais, mais evidente.</p><p>00;05;53;28 – 00;05;57;22<br />Quando a gente fala de<br />quais são esses interesses, principalmente</p><p>00;05;58;18 – 00;06;02;00<br />a definição do que é, por exemplo,</p><p>00;06;02;02 – 00;06;05;08<br />do que são produtos verdes,</p><p>00;06;05;08 – 00;06;09;27<br />como eles são produzidos,<br />as emissões que estão ali</p><p>00;06;09;27 – 00;06;13;19<br />incluídas naquele,<br />naquele produto e as regras que.</p><p>00;06;13;20 – 00;06;17;05<br />E isso vai influenciar regras de comércio,<br />financiamento.</p><p>00;06;17;14 – 00;06;19;25<br />Então, o que a gente tem tentado fazer?</p><p>00;06;19;25 – 00;06;24;05<br />Tem tentado trazer a comissão<br />para a importância da gente ter regra,</p><p>00;06;25;03 – 00;06;28;25<br />que influenciam tudo<br />o que a gente faz em relação a indústria,</p><p>00;06;29;05 – 00;06;32;15<br />que contemplem as perspectivas dos países<br />em desenvolvimento.</p><p>00;06;32;15 – 00;06;35;23<br />E isso, na prática,<br />quer dizer que a gente vai transformar</p><p>00;06;35;23 – 00;06;40;14<br />o que a gente tem no Brasil em termos<br />de particularidade da nossa produção.</p><p>00;06;40;14 – 00;06;45;18<br />E aí eu poderia citar os bio insumos,<br />a energia renovável</p><p>00;06;45;18 – 00;06;48;27<br />que a gente tem em abundância<br />e como a gente vai transformar</p><p>00;06;49;16 – 00;06;54;10<br />essas características da produção<br />brasileira em ativos de competitividade.</p><p>00;06;54;11 – 00;06;57;17<br />Você falou em meios de renováveis<br />em abundância que o Brasil tem.</p><p>00;06;57;17 – 00;07;00;03<br />Acho que muita gente já sabe,<br />mas não custa pontuar.</p><p>00;07;00;03 – 00;07;04;02<br />A grande vantagem que isso é o Brasil,<br />que tem uma matriz energética</p><p>00;07;04;02 – 00;07;07;25<br />entre as mais limpas do mundo,<br />com 50% da energia</p><p>00;07;07;25 – 00;07;11;24<br />vindo de fontes renováveis<br />e 90% da eletricidade também</p><p>00;07;12;03 – 00;07;13;16<br />vindo das fontes renováveis.</p><p>00;07;13;16 – 00;07;16;29<br />Isso nos coloca nessa posição<br />realmente vantajosa</p><p>00;07;16;29 – 00;07;21;07<br />para a descarbonização da indústria<br />e produtos como o aço verde,</p><p>00;07;21;07 – 00;07;24;29<br />o SAF, que é a sigla em inglês<br />para combustível sustentável de aviação,</p><p>00;07;25;07 – 00;07;28;07<br />estão cada vez mais presentes<br />nas conversas no setor.</p><p>00;07;28;16 – 00;07;30;05<br />Quais novos mercados<br />em que o Brasil</p><p>00;07;30;05 – 00;07;33;05<br />pode transformar<br />a sua vantagem competitiva</p><p>00;07;33;11 – 00;07;36;11<br />em benefícios econômicos concretos?</p><p>00;07;37;05 – 00;07;39;28<br />Você mencionou dois setores</p><p>00;07;39;28 – 00;07;44;22<br />muito importantes: o do aço,<br />eu poderia dizer também</p><p>00;07;45;17 – 00;07;49;01<br />o do ferro,<br />ou os combustíveis sustentáveis</p><p>00;07;49;01 – 00;07;52;19<br />de aviação,<br />os combustíveis marítimos sustentáveis.</p><p>00;07;53;00 – 00;07;57;04<br />Todas essas áreas são áreas<br />em que o Brasil tem muito potencial</p><p>00;07;57;04 – 00;08;02;28<br />de participar dessas cadeias globais,<br />mas também enfrenta desafios.</p><p>00;08;03;11 – 00;08;08;03<br />Então, e os desafios estão bastante<br />relacionados com essa</p><p>00;08;08;12 – 00;08;10;16<br />A mesma questão que eu mencionei antes.</p><p>00;08;10;16 – 00;08;15;00<br />Como a gente vai definir<br />quais são os produtos sustentáveis?</p><p>00;08;15;00 – 00;08;18;06<br />Quais são as regras de sustentabilidade<br />que a gente precisa</p><p>00;08;18;15 – 00;08;21;13<br />aplicar para avaliar a sustentabilidade<br />desses produtos?</p><p>00;08;21;13 – 00;08;24;12<br />Quais são as regras<br />para calcular emissões?</p><p>00;08;24;19 – 00;08;27;13<br />E o Brasil precisa e tem que saber</p><p>00;08;27;13 – 00;08;30;14<br />e poder competir em condições de igualdade</p><p>00;08;31;04 – 00;08;33;28<br />com outros países e receber investimento.</p><p>00;08;33;28 – 00;08;37;23<br />Então o Brasil também tem procurado trazer mais</p><p>00;08;38;24 – 00;08;40;21<br />transparência para esse debate.</p><p>00;08;40;21 – 00;08;43;08<br />Então, quando a gente fala de combustíveis<br />sustentáveis,</p><p>00;08;43;08 – 00;08;47;09<br />quando a gente fala de produtos verdes,<br />a gente precisa ir além.</p><p>00;08;47;09 – 00;08;52;03<br />A gente precisa dar o passo a mais<br />e falar também de como a gente vai definir</p><p>00;08;52;18 – 00;08;55;20<br />como a gente avalia a sustentabilidade<br />desse produto.</p><p>00;08;56;01 – 00;08;59;25<br />Eu, sinceramente<br />acho que esse é o grande debate</p><p>00;08;59;25 – 00;09;02;27<br />para os países em desenvolvimento,<br />países como o Brasil.</p><p>00;09;03;00 – 00;09;07;08<br />Porque a gente, quanto mais definição<br />e clareza e transparência</p><p>00;09;07;08 – 00;09;11;11<br />a gente trouxer para esse debate,<br />mais a gente vai ser capaz de competir.</p><p>00;09;11;21 – 00;09;16;20<br />E aí, mais uma vez, o papel da diplomacia<br />brasileira, e o papel do Itamaraty</p><p>00;09;16;29 – 00;09;19;29<br />é participar de todos esses debates,<br />discussões</p><p>00;09;20;05 – 00;09;23;24<br />e definições de regras internacionais,</p><p>00;09;24;01 – 00;09;26;24<br />trazendo a visão brasileira,</p><p>00;09;26;24 – 00;09;31;18<br />tendo certeza de que os nossos produtos<br />estão sendo contemplados</p><p>00;09;31;18 – 00;09;34;18<br />nesse novo mundo de regras que estão<br />se criando.</p><p>00;09;35;02 – 00;09;38;14<br />Então, é fundamental<br />que a gente esteja muito ativo</p><p>00;09;39;04 – 00;09;42;04<br />e atuante para ter certeza de que o Brasil</p><p>00;09;42;07 – 00;09;46;29<br />está contemplado nesse futuro<br />mais limpo e mais sustentável.</p><p>00;09;46;29 – 00;09;49;29<br />Laís, você é diplomata de carreira</p><p>00;09;50;21 – 00;09;54;15<br />e para nós, não diplomatas,<br />às vezes, esse mundo da diplomacia,</p><p>00;09;54;15 – 00;09;57;15<br />para os não iniciados,<br />pode parecer muito confuso</p><p>00;09;57;23 – 00;10;00;22<br />na proliferação de siglas,</p><p>00;10;00;22 – 00;10;04;04<br />de fóruns, de encontros,<br />e aí a maioria das pessoas</p><p>00;10;04;04 – 00;10;07;11<br />às vezes tem dificuldade em entender<br />para que serve qual coisa.</p><p>00;10;08;10 – 00;10;12;18<br />Você poderia nos ajudar a esclarecer<br />quais são os principais fóruns</p><p>00;10;12;18 – 00;10;16;06<br />em que essas regras são definidas<br />e se definem os padrões?</p><p>00;10;16;17 – 00;10;21;18<br />É o G-20, é a COP, é o BRICS…<br />Quais são os fóruns mais importantes</p><p>00;10;21;21 – 00;10;25;13<br />que essas discussões que você menciona,<br />que, pelo que você diz, são fundamentais</p><p>00;10;25;18 – 00;10;28;28<br />para o futuro da transição energética,<br />mas onde que elas ocorrem exatamente?</p><p>00;10;31;01 – 00;10;36;25<br />Bom, existem fóruns políticos<br />em que a gente discute</p><p>00;10;37;15 – 00;10;41;25<br />as visões sobre a transição energética,<br />sobre o futuro,</p><p>00;10;42;06 – 00;10;47;02<br />sobre que tipos de energia<br />devem ser privilegiadas no futuro.</p><p>00;10;47;02 – 00;10;49;28<br />E esses foros são basicamente políticos.</p><p>00;10;49;28 – 00;10;52;29<br />Então a gente está falando aqui<br />de G-20, de BRICS,</p><p>00;10;53;19 – 00;10;59;23<br />também, da COP,<br />que num nível muito, muito mais geral,</p><p>00;11;00;10 – 00;11;05;10<br />mas especificamente em<br />se falando de energia, essas discussões</p><p>00;11;05;10 – 00;11;09;15<br />são muito fragmentadas, porque não existe<br />um regime internacional sobre a energia.</p><p>00;11;09;15 – 00;11;16;01<br />A gente tem um regime de clima, que é<br />a Conferência das Partes e os acordos</p><p>00;11;17;06 – 00;11;18;29<br />derivados dela.</p><p>00;11;18;29 – 00;11;22;21<br />Mas energia são discussões<br />muito fragmentadas.</p><p>00;11;22;21 – 00;11;26;20<br />Então a gente tem muitas discussões também<br />que se dão no âmbito</p><p>00;11;26;20 – 00;11;28;07<br />da Agência Internacional de Energia.</p><p>00;11;28;07 – 00;11;31;06<br />A gente tem a Agência Internacional<br />de Energias Renováveis.</p><p>00;11;31;06 – 00;11;33;29<br />Também temos discussões de energia no G20.</p><p>00;11;33;29 – 00;11;36;29<br />Temos discussões regionais de energia<br />também.</p><p>00;11;37;03 – 00;11;43;04<br />E eu diria que a gente tem o nível<br />macro de definições políticas,</p><p>00;11;43;04 – 00;11;46;21<br />entendimentos que ocorrem nesses fóruns<br />que eu mencionei,</p><p>00;11;46;28 – 00;11;50;22<br />e depois a gente tem as regras<br />mais específicas,</p><p>00;11;50;22 – 00;11;53;21<br />dependendo do setor.</p><p>00;11;54;11 – 00;11;57;17<br />E aí eu vou citar, por exemplo,<br />a Organização Internacional da Aviação</p><p>00;11;57;17 – 00;12;01;15<br />Civil, que é a OACI em que foram definidos</p><p>00;12;01;15 – 00;12;05;23<br />há algum tempo já, mas continuam em debate<br />essas regras. Por exemplo:</p><p>00;12;06;04 – 00;12;10;06<br />o que são ou quais são as rotas<br />tecnológicas dos combustíveis</p><p>00;12;10;06 – 00;12;14;29<br />sustentáveis de aviação<br />e quais rotas tecnológicas as partes</p><p>00;12;16;00 – 00;12;18;02<br />obrigadas, que no caso são as empresas</p><p>00;12;18;02 – 00;12;22;09<br />aéreas, por exemplo,<br />vão poder usar para compensar as emissões.</p><p>00;12;22;13 – 00;12;26;25<br />Então a OACI é um foro<br />extremamente importante, por exemplo,</p><p>00;12;27;05 – 00;12;30;05<br />para definir<br />quais são as rotas tecnológicas</p><p>00;12;30;05 – 00;12;34;14<br />e os combustíveis sustentáveis de aviação<br />que vão ser aceitos para compensar</p><p>00;12;34;14 – 00;12;38;02<br />emissões, então esse é um debate<br />que o Brasil está muito presente também.</p><p>00;12;38;15 – 00;12;41;08<br />Eu vou citar um outro fórum em que isso</p><p>00;12;41;08 – 00;12;45;05<br />também vai passar acontecer<br />e de certa forma</p><p>00;12;45;05 – 00;12;48;21<br />já está acontecendo, que é a Organização<br />Marítima Internacional.</p><p>00;12;49;06 – 00;12;52;08<br />Do mesmo jeito<br />que a gente precisou discutir</p><p>00;12;52;26 – 00;12;56;16<br />os parâmetros para saber se a gente<br />vai discutir para combustível marítimo.</p><p>00;12;56;26 – 00;12;59;16<br />E aí o Brasil também está muito ativo</p><p>00;12;59;16 – 00;13;04;07<br />também no sentido<br />de ter certeza de que os insumos,</p><p>00;13;04;07 – 00;13;09;07<br />as matérias-primas brasileiras,<br />as rotas tecnológicas que a gente domina,</p><p>00;13;09;07 – 00;13;12;21<br />ou que quer dominar no futuro<br />estão sendo contempladas</p><p>00;13;12;21 – 00;13;17;14<br />e vão ser incluídas também nesse rol<br />de rotas tecnológicas de combustíveis</p><p>00;13;17;14 – 00;13;21;07<br />que podem ser usados na descarbonização<br />do setor marítimo.</p><p>00;13;21;07 – 00;13;22;23<br />E o Brasil, ele tem defendido</p><p>00;13;22;23 – 00;13;26;29<br />uma neutralidade tecnológica,<br />que é não privilegiar uma rota específica.</p><p>00;13;27;10 – 00;13;31;28<br />Por exemplo, a eletrificação<br />que sabemos que é uma solução</p><p>00;13;32;08 – 00;13;35;25<br />que, especialmente na Europa, era adotada<br />como a solução principal</p><p>00;13;35;25 – 00;13;37;23<br />ou única para a transição energética.</p><p>00;13;37;23 – 00;13;40;16<br />Mas hoje estamos vendo<br />que não é bem assim.</p><p>00;13;40;16 – 00;13;43;19<br />E o Brasil sempre tem defendido a posição<br />que cada país</p><p>00;13;43;19 – 00;13;47;06<br />tem que definir os caminhos viáveis<br />para a sua transição energética.</p><p>00;13;48;09 – 00;13;50;05<br />Se puder explicar um pouquinho mais para a gente</p><p>00;13;50;05 – 00;13;55;22<br />porque essa discussão é tão vital,<br />especialmente falando dos biocombustíveis,</p><p>00;13;55;26 – 00;13;58;26<br />que são tão centrais<br />para a transição energética do Brasil.</p><p>00;13;59;29 – 00;14;00;14<br />Perfeito!</p><p>00;14;00;14 – 00;14;02;06<br />Essa é uma excelente pergunta.</p><p>00;14;02;06 – 00;14;04;13<br />É um tema</p><p>00;14;04;13 – 00;14;07;04<br />quase diário aqui no nosso trabalho.</p><p>00;14;07;04 – 00;14;09;07<br />É algo que eu gosto bastante de dizer.</p><p>00;14;09;07 – 00;14;13;10<br />É que quando o Brasil menciona o termo</p><p>00;14;13;18 – 00;14;17;13<br />neutralidade tecnológica,<br />a gente não gosta de ser confundido</p><p>00;14;17;24 – 00;14;21;16<br />com outros países<br />que mencionam neutralidade tecnológica</p><p>00;14;21;26 – 00;14;25;13<br />para, na verdade, continuar<br />usando fontes poluentes de energia.</p><p>00;14;25;13 – 00;14;27;18<br />Então, esse não é o caso do Brasil.</p><p>00;14;27;18 – 00;14;31;01<br />Quando a gente fala de neutralidade<br />tecnológica, a gente quer dizer</p><p>00;14;31;22 – 00;14;35;12<br />que é o potencial das energias,</p><p>00;14;35;12 – 00;14;39;10<br />ele precisa ser avaliado</p><p>00;14;39;10 – 00;14;44;20<br />de acordo com a intensidade de emissões<br />e a sustentabilidade daquela produção,</p><p>00;14;44;29 – 00;14;49;10<br />preferencialmente no ciclo<br />completo de produção daquela energia.</p><p>00;14;49;12 – 00;14;52;13<br />Então a gente,<br />por que a gente precisa fazer isso?</p><p>00;14;52;19 – 00;14;57;13<br />Porque a gente precisa ter igualdade<br />de condições, é um “level playing field”</p><p>00;14;57;15 – 00;14;58;18<br />que a gente normalmente fala</p><p>00;14;59;17 – 00;15;01;02<br />nesses debates internacionais.</p><p>00;15;01;02 – 00;15;04;28<br />Então a gente precisa comparar banana<br />com banana, maçã com maçã.</p><p>00;15;04;28 – 00;15;07;28<br />Mas se a gente está comparando<br />só a tecnologia,</p><p>00;15;08;08 – 00;15;12;06<br />a tendência é que os países que preferem<br />uma tecnologia</p><p>00;15;12;06 – 00;15;15;17<br />vão colocar regras mais favoráveis<br />para aquelas tecnologias,</p><p>00;15;15;24 – 00;15;18;16<br />ou que eles gostam,<br />ou que é mais barato no país deles,</p><p>00;15;18;16 – 00;15;21;07<br />ou que eles dominam,<br />ou que eles querem vender.</p><p>00;15;21;07 – 00;15;24;29<br />Então, essa é uma grande questão para o Brasil.</p><p>00;15;24;29 – 00;15;28;28</p><p>E aí com os biocombustíveis<br />é exatamente isso:</p><p>00;15;29;05 – 00;15;31;28<br />a gente precisa</p><p>00;15;31;28 – 00;15;36;01<br />concordar entre os países,<br />essas agências internacionais,</p><p>00;15;36;01 – 00;15;40;03<br />as agências financiadoras,<br />certificadoras em uma maneira</p><p>00;15;40;03 – 00;15;43;20<br />de medir as emissões<br />das fontes energéticas que não</p><p>00;15;44;00 – 00;15;47;16<br />não dependa da tecnologia que estão<br />sendo usadas para ser produzidas.</p><p>00;15;47;19 – 00;15;51;13<br />Mas, de fato, na redução de emissões<br />que aquelas tecnologias</p><p>00;15;51;13 – 00;15;55;04<br />vão trazer em relação ao correspondente<br />fóssil.</p><p>00;15;55;12 – 00;15;59;02<br />E aí, em relação aos biocombustíveis,<br />a gente tem uma experiência</p><p>00;15;59;08 – 00;16;03;04<br />muito significativa aqui no Brasil<br />com o RenovaBio,</p><p>00;16;03;04 – 00;16;08;07<br />a calculadora do RenovaBio e o Brasil<br />tem aplicado uma regra que eu acho,</p><p>00;16;08;07 – 00;16;12;14<br />na verdade, a regra de ouro,<br />inclusive para políticas públicas,</p><p>00;16;12;24 – 00;16;17;19<br />que sejam de fato<br />efetivas, que é você avaliar</p><p>00;16;18;20 – 00;16;20;26<br />o ciclo, a vida completa, a</p><p>00;16;20;26 – 00;16;24;03<br />análise do ciclo de vida<br />completa, por exemplo, de um combustível.</p><p>00;16;24;21 – 00;16;28;00<br />Então, o que o Brasil tem tentado fazer<br />é exatamente</p><p>00;16;28;00 – 00;16;31;17<br />isso é mostrar que a gente precisa desenvolver</p><p>00;16;32;29 – 00;16;35;07<br />e concordar</p><p>00;16;35;07 – 00;16;39;29<br />entre os países do mundo<br />sobre formas de contar essas emissões</p><p>00;16;40;01 – 00;16;45;00<br />dessa maneira justa, científica de maneira<br />que, quando você for fazer a política,</p><p>00;16;45;00 – 00;16;50;06<br />seja uma política doméstica de transição<br />energética, seja uma política comercial,</p><p>00;16;50;14 – 00;16;53;18<br />ou seja, por exemplo,<br />o comércio que você de fato esteja</p><p>00;16;54;03 – 00;16;58;23<br />premiando aquelas alternativas de<br />tecnologias que estão reduzindo emissões.</p><p>00;16;59;02 – 00;17;03;04</p><p>E o caso dos biocombustíveis<br />é um caso clássico porque muitas pessoas</p><p>00;17;03;21 – 00;17;08;06<br />simplesmente escutam biocombustível<br />e falam “Não, biocombustíveis não.”</p><p>00;17;08;11 – 00;17;11;00<br />por vários</p><p>00;17;11;00 – 00;17;14;05<br />preconceitos,<br />às vezes infundados, às vezes não.</p><p>00;17;14;16 – 00;17;18;03<br />E o que o Brasil tem tentado fazer<br />em diversos fóruns internacionais e falar</p><p>00;17;18;03 – 00;17;21;07<br />assim:<br />Vamos conversar sobre biocombustíveis,</p><p>00;17;21;18 – 00;17;25;08<br />vamos olhar para como eles são produzidos,<br />vamos ser transparentes</p><p>00;17;25;08 – 00;17;26;28<br />e vamos, de fato, comparar.</p><p>00;17;26;28 – 00;17;30;27<br />E aí, dependendo de onde você esteja,<br />da sua aptidão local,</p><p>00;17;30;27 – 00;17;35;06<br />do seu potencial agrícola<br />ou da sua disponibilidade de terras,</p><p>00;17;35;06 – 00;17;37;26<br />ou do tanto de emprego local<br />que você quer criar,</p><p>00;17;37;26 – 00;17;41;20<br />porque isso é um fator importante<br />também, os países decidam</p><p>00;17;41;20 – 00;17;44;02<br />quais são as alternativas<br />mais convenientes.</p><p>00;17;44;02 – 00;17;47;11<br />Mas a gente não pode simplesmente partir</p><p>00;17;47;21 – 00;17;50;23<br />do princípio de que uma tecnologia<br />é melhor do que a outra.</p><p>00;17;51;01 – 00;17;54;11<br />Laís, você falou em análise<br />do ciclo de vida do produto.</p><p>00;17;54;11 – 00;17;57;07<br />Só pra colocar todo mundo<br />que tá assistindo na mesma página.</p><p>00;17;57;07 – 00;18;00;25<br />O que significa essa<br />análise de ciclo de vida de um produto?</p><p>00;18;00;26 – 00;18;05;14<br />Você falou em vazamento também de emissões<br />nesse meio do caminho dessa análise</p><p>00;18;05;25 – 00;18;10;01<br />E também, adicionar aqui uma questão<br />sobre por que ainda tem esse preconceito</p><p>00;18;10;26 – 00;18;12;25<br />com relação aos biocombustíveis do Brasil?</p><p>00;18;14;21 – 00;18;16;14<br />Bom, então, análise de</p><p>00;18;16;14 – 00;18;20;07<br />ciclo de vida quer dizer, a gente<br />olhar para todo o ciclo</p><p>00;18;20;07 – 00;18;23;22<br />de produção de um produto e estimar,</p><p>00;18;23;22 – 00;18;27;29<br />ou contabilizar as emissões<br />até aquele produto final.</p><p>00;18;28;23 – 00;18;34;03</p><p>E aí a gente vai contar, por exemplo,<br />dando um exemplo aqui não exaustivo</p><p>00;18;34;03 – 00;18;39;04<br />do ciclo de vida, por exemplo,<br />de um biocombustível brasileiro.</p><p>00;18;39;19 – 00;18;42;05<br />Então, vamos supor o etanol,</p><p>00;18;42;05 – 00;18;44;20<br />o etanol de cana.<br />Então, o que?</p><p>00;18;44;20 – 00;18;47;23<br />Em que terra<br />eu estou produzindo aquela cana?</p><p>00;18;48;10 – 00;18;51;10<br />E quais são os tipos de<br />insumos que eu estou usando:</p><p>00;18;51;17 – 00;18;54;17<br />fertilizantes, defensivos?</p><p>00;18;54;19 – 00;18;57;26<br />Que tipo de colheita eu faço?</p><p>00;18;57;26 – 00;19;00;03<br />O que eu faço com os rejeitos?</p><p>00;19;00;03 – 00;19;03;05<br />Qual é a energia que eu uso para</p><p>00;19;03;11 – 00;19;04;25<br />abastecer a minha usina?</p><p>00;19;05;01 – 00;19;07;26<br />Como eu faço o transporte daquele<br />combustível do produtor até o consumidor</p><p>00;19;08;06 – 00;19;12;14<br />e do produtor até o consumidor e depois a</p><p>00;19;13;21 – 00;19;16;22<br />os efeitos<br />na atmosfera da queima daquele.</p><p>00;19;17;04 – 00;19;20;12<br />Então, isso é uma análise do ciclo de vida</p><p>00;19;20;23 – 00;19;24;21<br />e a gente pode ter análises<br />que não são completas.</p><p>00;19;24;21 – 00;19;28;14<br />Então, algumas propostas, por exemplo,<br />de contabilização de emissões,</p><p>00;19;28;25 – 00;19;33;14<br />elas são assim: pro biocombustível,<br />a gente vai contabilizar tudo,</p><p>00;19;33;14 – 00;19;38;08<br />a gente vai contabilizar carbono no solo<br />e fertilizante e tal.</p><p>00;19;38;09 – 00;19;41;29<br />Mas para o hidrogênio<br />a gente só vai contabilizar, por exemplo,</p><p>00;19;41;29 – 00;19;44;29<br />uma parte. Então eu não vou contar</p><p>00;19;45;00 – 00;19;46;22<br />aquela planta de hidrogênio,</p><p>00;19;46;22 – 00;19;50;07<br />os investimentos, as emissões usadas<br />para fazer aquela planta, por exemplo.</p><p>00;19;50;15 – 00;19;52;22<br />E isso é o que traz as inconsistências.</p><p>00;19;52;22 – 00;19;56;29<br />Então, o Brasil defende<br />essa análise de ciclo de vida completa</p><p>00;19;57;14 – 00;20;00;10<br />exatamente<br />para que o formulador da política,</p><p>00;20;00;10 – 00;20;05;17<br />o governo, de fato, possa estimar a redução de emissões.</p><p>00;20;05;27 – 00;20;09;10</p><p>Então ela é feita do berço ao túmulo.<br />E isso é muito importante</p><p>00;20;09;10 – 00;20;13;03<br />para você evitar esse escape de emissões.</p><p>00;20;13;03 – 00;20;16;10<br />Ou seja, evitar que uma parte das emissões</p><p>00;20;17;05 – 00;20;19;29<br />que foram geradas para a produção</p><p>00;20;19;29 – 00;20;23;14<br />daquele produto escapem à contabilidade.</p><p>00;20;23;14 – 00;20;29;07<br />Para que a gente possa ter<br />a maior precisão possível e contabilizar</p><p>00;20;30;08 – 00;20;31;26<br />com precisão a emissão</p><p>00;20;31;26 – 00;20;34;27<br />de um produto ou de uma fonte energética.</p><p>00;20;34;27 – 00;20;39;06<br />Então isso é mais ou menos em linhas<br />gerais, a análise do ciclo de vida.</p><p>00;20;39;13 – 00;20;42;17<br />Eu entendo que o que a gente chama<br />de preconceito</p><p>00;20;42;17 – 00;20;45;17<br />em relação aos biocombustíveis</p><p>00;20;45;17 – 00;20;48;24<br />está baseado tanto em fatos como</p><p>00;20;49;16 – 00;20;53;05<br />em preconceitos mesmo</p><p>00;20;54;05 – 00;20;58;16<br />Pré concepções sobre algo<br />que às vezes é até desconhecido,</p><p>00;20;59;00 – 00;21;03;01<br />mas principalmente relacionado<br />à questão da mudança,</p><p>00;21;03;01 – 00;21;07;03<br />do uso da terra ou do desmatamento,<br />porque de fato, existiram países</p><p>00;21;07;18 – 00;21;10;18<br />que produziram biocombustíveis</p><p>00;21;10;29 – 00;21;13;11<br />sem respeitar,</p><p>00;21;13;11 – 00;21;17;16<br />por exemplo, regras de desmatamento<br />ou evitar desmatamento</p><p>00;21;17;16 – 00;21;21;07<br />ou sem o controle sobre isso.<br />E isso de fato aconteceu.</p><p>00;21;21;07 – 00;21;26;08<br />Não é o caso do Brasil,<br />porque a gente tem regras bastante claras</p><p>00;21;26;08 – 00;21;29;16<br />A gente tem uma lei ambiental que</p><p>00;21;30;04 – 00;21;32;21<br />não permite que isso aconteça no Brasil,<br />mas muitos,</p><p>00;21;32;21 – 00;21;35;18<br />muitos países fizeram isso<br />e eu acho que isso prejudicou</p><p>00;21;35;18 – 00;21;39;08<br />a sustentabilidade,<br />ou a imagem dos biocombustíveis.</p><p>00;21;39;08 – 00;21;43;19<br />Então isso é real<br />e eu acho que é desconhecimento de fato</p><p>00;21;43;19 – 00;21;48;06<br />sobre as condições<br />em que biocombustíveis são produzidos.</p><p>00;21;48;06 – 00;21;52;04<br />Ou a priori pensar que pode<br />existir, por exemplo,</p><p>00;21;52;04 – 00;21;56;20<br />uma competição<br />entre alimentos e biocombustíveis,</p><p>00;21;56;20 – 00;22;02;00<br />dependendo da matéria-prima que você usa<br />Então eu vejo isso como uma falta</p><p>00;22;02;29 – 00;22;06;01<br />de precisão das informações,</p><p>00;22;06;18 – 00;22;11;26<br />e eu acho que o Brasil tem tentado<br />bastante fomentar o debate,</p><p>00;22;11;27 – 00;22;15;05<br />fomentar a cooperação<br />sobre sustentabilidade,</p><p>00;22;15;05 – 00;22;18;13<br />de maneira que a gente consiga<br />cada vez mais ter transparência na</p><p>00;22;19;00 – 00;22;22;05<br />produção dos combustíveis e fazê-los<br />de maneira que eles possam ser</p><p>00;22;22;05 – 00;22;26;11<br />certificados e verificáveis.<br />E isso é algo que o Brasil tem feito</p><p>00;22;26;11 – 00;22;30;09<br />não só domesticamente, mas a gente<br />tem cooperado muito sobre isso também.</p><p>00;22;30;21 – 00;22;32;24<br />Então, o Brasil tem programas de cooperação</p><p>00;22;32;24 – 00;22;36;07<br />com diversos países, especificamente<br />sobre a questão da sustentabilidade</p><p>00;22;36;16 – 00;22;42;05<br />para que a gente consiga aumentar a transparência</p><p>00;22;42;05 – 00;22;46;14<br />mas também fomentar a adoção<br />de critérios de sustentabilidade.</p><p>00;22;46;14 – 00;22;48;14<br />Então, isso é algo de fato<br />muito importante</p><p>00;22;48;14 – 00;22;50;12<br />em relação aos biocombustíveis.</p><p>00;22;50;12 – 00;22;53;02<br />E todos os biocombustíveis<br />têm que ser sustentáveis.</p><p>00;22;53;02 – 00;22;55;29<br />Então a gente precisa escolher as rotas</p><p>00;22;55;29 – 00;22;58;29<br />que vão permitir essa sustentabilidade.</p><p>00;22;59;04 – 00;23;01;18<br />Mas também existe, Aline,</p><p>00;23;01;18 – 00;23;05;24<br />uma questão de competição comercial<br />e a gente não pode negar.</p><p>00;23;06;01 – 00;23;11;04<br />Nem todos os países do mundo são capazes,<br />tem disponibilidade de terra,</p><p>00;23;11;04 – 00;23;15;21<br />dominam a tecnologia<br />para fazer, ou tem aptidão</p><p>00;23;17;03 – 00;23;19;25<br />natural para produzir biocombustíveis,<br />por exemplo.</p><p>00;23;19;25 – 00;23;24;14<br />Do mesmo jeito que nem todos os países<br />ou muitos países não vão produzir energia</p><p>00;23;24;14 – 00;23;27;18<br />solar na mesma intensidade<br />que outros, a gente sabe que dependendo</p><p>00;23;27;18 – 00;23;31;09<br />de onde você está no mundo,<br />você tem maior potencialidade</p><p>00;23;31;09 – 00;23;35;10<br />para certos tipos de energia<br />E com biocombustíveis é a mesma coisa.</p><p>00;23;35;18 – 00;23;37;11<br />Então,</p><p>00;23;37;11 – 00;23;41;14<br />o Brasil é muito competitivo nessa área<br />e isso gera também</p><p>00;23;41;20 – 00;23;47;02<br />resistências de países que não dominam<br />nem nunca vão dominar essa tecnologia.</p><p>00;23;47;13 – 00;23;51;20<br />Mas a gente tem<br />visto que os combustíveis sustentáveis,</p><p>00;23;51;20 – 00;23;54;19<br />eles são muito importantes<br />para a transição energética.</p><p>00;23;54;28 – 00;23;59;27<br />E a gente viu que essas discussões no ar<br />até a adoção desse marco</p><p>00;24;00;15 – 00;24;04;04<br />regulatório,<br />que vai forçar as companhias aéreas</p><p>00;24;04;04 – 00;24;10;12<br />a compensarem as emissões , na IMO,<br />a mesma coisa, trouxeram para esse</p><p>00;24;10;12 – 00;24;15;08<br />setor dos combustíveis sustentáveis<br />uma visibilidade grande nos últimos anos.</p><p>00;24;15;08 – 00;24;20;03</p><p>A gente, os biocombustíveis,<br />eles tiveram, vamos dizer assim.</p><p>00;24;20;03 – 00;24;24;03<br />Eles ficaram “cool” de novo<br />vamos dizer assim, por causa dessa demanda</p><p>00;24;24;12 – 00;24;26;14<br />que está sendo criada por esses setores<br />que a gente chama de difícil abatimento</p><p>00;24;26;14 – 00;24;28;16<br />que está sendo criada por esses setores<br />que a gente chama de difícil abatimento</p><p>00;24;28;18 – 00;24;31;02<br />e que vão ser de difícil eletrificação.</p><p>00;24;31;02 – 00;24;33;26<br />Então a gente precisa aproveitar<br />esse momento</p><p>00;24;33;26 – 00;24;37;19<br />pra olhar pro biocombustíveis<br />com novos olhos</p><p>00;24;37;27 – 00;24;41;23<br />e esses olhos mesmo,<br />de criar esses mercados globais.</p><p>00;24;41;23 – 00;24;45;29<br />E aí para a gente criar esses mercados<br />globais, a gente vai precisar conversar</p><p>00;24;45;29 – 00;24;49;24<br />e concordar sobre as regras de produção,<br />de comercialização,</p><p>00;24;49;24 – 00;24;53;12<br />de certificação desses combustíveis.<br />Então a gente tem</p><p>00;24;53;14 – 00;24;56;14<br />procurado participar desse debate<br />com muito afinco,</p><p>00;24;56;14 – 00;25;01;03<br />porque a gente acha que os combustíveis<br />têm um papel na transição energética,</p><p>00;25;01;10 – 00;25;05;15<br />em se afastar dos combustíveis fósseis,<br />porque a gente precisa criar substitutos</p><p>00;25;05;15 – 00;25;07;05<br />para os combustíveis fósseis</p><p>00;25;07;05 – 00;25;10;07<br />e a gente precisa fazer isso,<br />como eu disse, de uma maneira justa,</p><p>00;25;10;07 – 00;25;14;18<br />de uma maneira equitativa<br />e de forma que todos os países possam</p><p>00;25;14;18 – 00;25;17;23<br />competir e participar<br />desses mercados globais também.</p><p>00;25;17;23 – 00;25;20;24<br />Não só usar domesticamente, mas</p><p>00;25;20;27 – 00;25;22;28<br />comercializar e vender combustível.</p><p>00;25;22;28 – 00;25;25;28</p><p>Você falou que os biocombustíveis<br />ficaram</p><p>00;25;25;28 – 00;25;28;28<br />“cool” de novo, mais legais.</p><p>00;25;29;12 – 00;25;32;06<br />Eu lembrei de ver notícia<br />falando que tem empresa</p><p>00;25;32;06 – 00;25;37;02<br />investindo em milho para biocombustíveis,<br />em macaúba,</p><p>00;25;37;14 – 00;25;38;16<br />que é um insumo que eu nunca tinha ouvido<br />falar.</p><p>00;25;38;16 – 00;25;39;14<br />É muito interessante mesmo.</p><p>00;25;39;14 – 00;25;42;01</p><p>E aí a gente olha a dificuldade.</p><p>00;25;42;01 – 00;25;46;06<br />A macaúba possivelmente é<br />uma matéria-prima que só existe no Brasil.</p><p>00;25;46;25 – 00;25;51;01<br />Então como é que você vai chegar lá<br />na Organização Internacional</p><p>00;25;51;01 – 00;25;56;05<br />da Aviação Civil e falar assim<br />Olha, eu tenho aqui uma rota tecnológica</p><p>00;25;56;05 – 00;26;00;05<br />pra produzir SAF com macaúba. E aí,<br />como é que você</p><p>00;26;00;29 – 00;26;02;22<br />demonstra a sustentabilidade?</p><p>00;26;02;22 – 00;26;07;24<br />Como é que você. Então, existe muito<br />essa é a especificidade científica.</p><p>00;26;07;27 – 00;26;09;10<br />Então a gente tem muitos técnicos</p><p>00;26;09;10 – 00;26;13;06<br />e cientistas que trabalham<br />conjuntamente conosco para fazer isso,</p><p>00;26;13;06 – 00;26;17;14<br />porque tudo é mapeado,<br />tudo é extremamente detalhado</p><p>00;26;17;14 – 00;26;21;09<br />em termos da produção,<br />mas também é tudo muito específico.</p><p>00;26;21;16 – 00;26;24;13<br />Do mesmo jeito que o Japão, por exemplo,<br />tem uma rota</p><p>00;26;24;13 – 00;26;27;19<br />de produção de SAF com coco disforme.</p><p>00;26;27;19 – 00;26;31;09<br />Então assim, cada país vai ter uma</p><p>00;26;31;09 – 00;26;34;14<br />especificidade, uma matéria-prima específica.</p><p>00;26;34;14 – 00;26;39;12<br />e a gente quer essa diversidade<br />porque a gente precisa de todas as rotas</p><p>00;26;39;22 – 00;26;42;15<br />É por isso que a gente precisa ter<br />critérios,</p><p>00;26;42;15 – 00;26;46;11<br />vamos dizer assim,<br />transparentes e universais o suficiente</p><p>00;26;46;21 – 00;26;49;04<br />para permitir<br />que todas essas matérias-primas</p><p>00;26;49;04 – 00;26;54;04<br />sejam usadas,<br />sejam contabilizadas e mereçam a</p><p>00;26;54;21 – 00;26;59;24<br />redução ou façam jus à redução de emissões<br />que elas de fato apresentam.</p><p>00;26;59;24 – 00;27;02;05<br />É importante aqui mencionar</p><p>00;27;02;05 – 00;27;05;20<br />o compromisso de Belém<br />pelos combustíveis sustentáveis</p><p>00;27;06;23 – 00;27;08;10<br />Belém 4X</p><p>00;27;08;10 – 00;27;11;08<br />que foi assinado, que foi lançado na COP</p><p>00;27;11;08 – 00;27;15;21<br />e que basicamente vários países<br />se comprometeram a quadruplicar</p><p>00;27;16;06 – 00;27;20;10<br />a produção de combustíveis sustentáveis<br />até 2035, que é uma vitória,</p><p>00;27;20;15 – 00;27;23;15<br />eu diria,<br />da atuação diplomática do Itamaraty</p><p>00;27;23;18 – 00;27;26;18<br />e que realmente vocês têm conseguido<br />pautar esse tema</p><p>00;27;26;22 – 00;27;29;21<br />aí nos fóruns internacionais.</p><p>00;27;30;01 – 00;27;32;04<br />A gente também comemorou bastante.</p><p>00;27;32;04 – 00;27;35;03<br />A adoção desse compromisso.</p><p>00;27;35;03 – 00;27;38;15<br />Foi a adoção oficial, formal foi feita</p><p>00;27;38;15 – 00;27;41;22<br />durante a cúpula de líderes de Belém.</p><p>00;27;41;22 – 00;27;44;29<br />Então, o presidente Lula se envolveu<br />pessoalmente também,</p><p>00;27;44;29 – 00;27;48;15<br />convidando os países<br />a adotarem esse compromisso.</p><p>00;27;48;15 – 00;27;52;14<br />E é interessante<br />dizer que esse compromisso</p><p>00;27;52;14 – 00;27;56;02<br />é baseado num relatório<br />da Agência Nacional de Energia,</p><p>00;27;56;19 – 00;28;01;08<br />que foi feito graças também<br />à atuação do Brasil junto a essa agência.</p><p>00;28;01;08 – 00;28;04;26<br />A gente tem desenvolvido<br />um trabalho muito próximo deles</p><p>00;28;05;05 – 00;28;09;02<br />nessa pauta dos combustíveis<br />e vem crescendo e</p><p>00;28;10;16 – 00;28;13;25<br />se diversificando também desde o G20.</p><p>00;28;14;16 – 00;28;19;03<br />Então eles fizeram essa projeção<br />de que é possível e factível</p><p>00;28;19;03 – 00;28;22;06<br />quadruplicar o uso dos combustíveis<br />sustentáveis.</p><p>00;28;22;15 – 00;28;25;08<br />E aí a gente está falando de hidrogênio,</p><p>00;28;25;08 – 00;28;29;20<br />biocombustível,<br />biogás e combustíveis sintéticos.</p><p>00;28;30;01 – 00;28;34;15<br />É possível a gente quadruplicar<br />essa produção até 2035</p><p>00;28;34;25 – 00;28;37;16<br />sem adicionar terra.</p><p>00;28;37;16 – 00;28;40;03<br />Então, a gente não está falando<br />de usar mais terra para fazer.</p><p>00;28;40;03 – 00;28;43;01<br />A gente está falando de ganhos<br />de produtividade.</p><p>00;28;43;01 – 00;28;46;22<br />E a gente está falando de cooperação<br />exatamente nesses tópicos</p><p>00;28;46;22 – 00;28;48;15<br />que eu mencionei pra vocês.</p><p>00;28;48;15 – 00;28;52;27<br />Regras de contabilidade,<br />regras de sustentabilidade, financiamento</p><p>00;28;53;08 – 00;28;57;20<br />pra gente poder quadruplicar<br />e a importância disso é exatamente a gente</p><p>00;28;57;20 – 00;29;00;21<br />criar esses substitutos<br />pros combustíveis fósseis</p><p>00;29;01;00 – 00;29;04;25<br />Laís, a gente não pode encerrar<br />esse episódio sem te perguntar</p><p>00;29;05;02 – 00;29;09;02<br />sobre a sua liderança na Associação<br />de Mulheres Diplomatas do Brasil.</p><p>00;29;09;18 – 00;29;13;05<br />O setor de energia<br />e a diplomacia de alto nível</p><p>00;29;13;05 – 00;29;17;04<br />são historicamente ocupados<br />majoritariamente por homens.</p><p>00;29;17;17 – 00;29;21;08<br />Como que a maior presença de mulheres<br />em cargos de decisão</p><p>00;29;21;17 – 00;29;26;07<br />no Ministério das Relações Exteriores<br />e em divisões técnicas como a de energia,</p><p>00;29;26;07 – 00;29;31;09<br />influencia na forma como o Brasil negocia<br />acordos para a transição energética?</p><p>00;29;33;16 – 00;29;36;11<br />Bom, primeiro eu acho muito importante</p><p>00;29;36;11 – 00;29;40;16<br />que a diplomacia reflita<br />a população que ela está representando.</p><p>00;29;40;22 – 00;29;45;16<br />Então a gente não pode ter<br />um país como o Brasil</p><p>00;29;45;25 – 00;29;49;28<br />com uma diplomacia essencialmente<br />masculina e branca como a gente tem hoje.</p><p>00;29;49;28 – 00;29;52;29<br />Então é um déficit de representação,<br />com certeza.</p><p>00;29;53;16 – 00;29;57;16<br />Em primeiro lugar e em segundo lugar,<br />é uma questão de justiça.</p><p>00;29;57;17 – 00;30;00;01<br />As mulheres são 50% da população</p><p>00;30;00;01 – 00;30;03;18<br />e a gente tem que estar representado<br />em todos os espaços de poder.</p><p>00;30;03;23 – 00;30;05;28<br />E o Brasil tem um déficit</p><p>00;30;05;28 – 00;30;10;01<br />grande de representação de mulheres,<br />não só na diplomacia.</p><p>00;30;10;01 – 00;30;12;06<br />Na diplomacia a gente tem 23% de mulheres.</p><p>00;30;12;06 – 00;30;14;13<br />Infelizmente, na média,</p><p>00;30;14;13 – 00;30;16;29<br />mas também no Parlamento, por exemplo,</p><p>00;30;16;29 – 00;30;20;00<br />é outro espaço de poder em que a gente tem</p><p>00;30;20;07 – 00;30;21;04<br />poucas mulheres.</p><p>00;30;21;04 – 00;30;24;07<br />Então é esse tem sido e essa</p><p>00;30;24;07 – 00;30;27;10<br />tem sido uma luta grande das mulheres diplomatas.</p><p>00;30;27;15 – 00;30;30;21<br />A nossa associação foi criada em 2023.</p><p>00;30;31;11 – 00;30;36;02<br />Eu sou a segunda presidente e o nosso trabalho<br />tem sido,</p><p>00;30;36;02 – 00;30;39;02<br />em primeiro lugar, de chamar a atenção<br />para esse problema.</p><p>00;30;41;06 – 00;30;44;04<br />E, de fato, sempre</p><p>00;30;44;04 – 00;30;46;17<br />pedir mais mulheres no espaço de poder.</p><p>00;30;46;17 – 00;30;49;19<br />Mas eu acho que a diversidade, não</p><p>00;30;49;19 – 00;30;53;10<br />só a presença de mulheres,<br />mas a diversidade nos times.</p><p>00;30;53;26 – 00;30;58;29<br />Ela sempre traz muita riqueza<br />para as nossas posições.</p><p>00;30;58;29 – 00;31;04;13<br />Eu acho que ter times diversos,<br />ter uma diplomacia diversa</p><p>00;31;04;13 – 00;31;05;26<br />vai nos ajudar a ser melhores,</p><p>00;31;05;26 – 00;31;09;00<br />porque a gente vai ter diferentes<br />perspectivas contempladas</p><p>00;31;09;13 – 00;31;13;14<br />e a gente vai conseguir captar a realidade<br />de um jeito mais completo</p><p>00;31;13;25 – 00;31;17;01<br />e trabalhar também<br />de um jeito mais completo, mais dinâmico.</p><p>00;31;17;01 – 00;31;21;23<br />Cada um trazendo a sua experiência,<br />a sua bagagem pessoal</p><p>00;31;22;11 – 00;31;24;29<br />para construir essa diplomacia</p><p>00;31;24;29 – 00;31;29;06<br />ativa e eficiente que<br />que a gente quer e que o Brasil merece.</p><p>00;31;29;22 – 00;31;30;27<br />Então,</p><p>00;31;31;27 – 00;31;32;17<br />a gente.</p><p>00;31;32;17 – 00;31;36;00<br />Eu sou muito orgulhosa<br />sim, das mulheres diplomatas por terem</p><p>00;31;36;19 – 00;31;41;04<br />ido à frente, fundado essa associação<br />e vamos torcer para que a gente consiga</p><p>00;31;41;21 – 00;31;46;28<br />nos próximos anos, a nossa principal pauta<br />ou nossa principal reivindicação,</p><p>00;31;46;28 – 00;31;51;17<br />que é uma política institucionalizada<br />de paridade de gênero</p><p>00;31;52;10 – 00;31;55;24<br />e de paridade, eu estou dizendo 50% de mulheres</p><p>00;31;55;24 – 00;31;58;24<br />em todas as classes,<br />em todos os cargos de poder.</p><p>00;31;59;06 – 00;32;02;11<br />E isso é algo que vai fazer<br />muita diferença para o Brasil.</p><p>00;32;02;11 – 00;32;05;22<br />Com certeza a gente vai continuar<br />lutando para que isso aconteça.</p><p>00;32;07;00 – 00;32;11;21<br />Parabéns por esse trabalho que você<br />vem desempenhando Lais, não só na diplomacia</p><p>00;32;11;21 – 00;32;16;11<br />energética, como também nessa busca<br />por maior representatividade na diplomacia</p><p>00;32;17;02 – 00;32;21;13<br />Acho que deu pra gente aprender bastante<br />sobre a diplomacia energética, esclareceu</p><p>00;32;21;13 – 00;32;26;01<br />muitos pontos que conseguimos conversar<br />sobre diferentes setores diferentes</p><p>00;32;27;22 – 00;32;29;29<br />e áreas de atuação da diplomacia.</p><p>00;32;29;29 – 00;32;30;19<br />Queria que você</p><p>00;32;30;19 – 00;32;34;07<br />agora ficasse um pouco à vontade<br />para adicionar algum comentário final</p><p>00;32;34;18 – 00;32;37;18<br />sobre algum dos tópicos<br />que a gente abordou hoje.</p><p>00;32;39;09 – 00;32;39;26<br />Obrigada!</p><p>00;32;39;26 – 00;32;42;19<br />Para mim foi um grande prazer<br />conversar com vocês.</p><p>00;32;42;19 – 00;32;47;10<br />A diplomacia parece às vezes complicada,<br />mas na verdade</p><p>00;32;48;07 – 00;32;50;27<br />ela também é feita de pessoas</p><p>00;32;50;27 – 00;32;55;21<br />e é um pouco<br />esse conjunto de perspectivas.</p><p>00;32;55;21 – 00;33;00;16<br />Mas o que a gente tem tentado fazer<br />é sempre defender</p><p>00;33;00;26 – 00;33;05;02<br />e olhar para a transição energética<br />com o olhar do Brasil</p><p>00;33;05;11 – 00;33;07;13<br />e com o olhar dos países<br />em desenvolvimento.</p><p>00;33;07;13 – 00;33;12;15<br />Então eu<br />acho que essa é a diferença do Brasil</p><p>00;33;12;25 – 00;33;18;00<br />quando está atuando nesses foros<br />e trazer essa perspectiva muito própria.</p><p>00;33;18;12 – 00;33;24;08<br />O Brasil é um país com complexidades,<br />é um país que não cabe</p><p>00;33;24;19 – 00;33;28;08<br />muito bem em certas caixinhas. E aí</p><p>00;33;30;08 – 00;33;34;19<br />essas características próprias do Brasil<br />e que dão para a gente</p><p>00;33;35;10 – 00;33;38;23<br />esse toque especial que eu</p><p>00;33;38;23 – 00;33;43;11<br />acho que a gente traz sempre<br />para as negociações dos debates.</p><p>00;33;43;16 – 00;33;48;03<br />Sempre tentar olhar para os problemas<br />com uma perspectiva diferente.</p><p>00;33;48;16 – 00;33;52;14<br />Então, eu acho que a gente tem que pensar agora</p><p>00;33;52;14 – 00;33;57;14<br />olhando para os desafios que a gente tem<br />para o futuro, num contexto internacional</p><p>00;33;57;14 – 00;34;02;00<br />muito mais complexo<br />e muito mais conturbado,</p><p>00;34;02;00 – 00;34;06;10<br />em que talvez algumas certezas<br />ou alguns conceitos</p><p>00;34;06;10 – 00;34;09;29<br />que a gente achava que estavam pacificados<br />estão sendo questionados.</p><p>00;34;11;07 – 00;34;15;17<br />A transição energética<br />em si está sendo questionada.</p><p>00;34;15;17 – 00;34;18;17<br />Então, acho que isso<br />coloca desafios para nós.</p><p>00;34;18;27 – 00;34;21;14<br />Mas eu acho que o que faz a gente continuar</p><p>00;34;21;22 – 00;34;27;03<br />acreditando é essa, essa via mesmo<br />da justiça, do desenvolvimento.</p><p>00;34;27;03 – 00;34;31;18<br />E pensar que a transição energética<br />ela pode e com certeza</p><p>00;34;31;18 – 00;34;35;07<br />oferece oportunidades para o Brasil,<br />para os países em desenvolvimento.</p><p>00;34;35;15 – 00;34;38;14<br />E a gente vai lutar<br />para que a gente possa aproveitar</p><p>00;34;38;14 – 00;34;43;14<br />essas oportunidades, não reverter<br />os ganhos que a gente já tem de transição.</p><p>00;34;43;14 – 00;34;47;03<br />Mas, ao contrário,<br />a gente vai manter a nossa posição</p><p>00;34;47;09 – 00;34;50;26<br />de que é necessário<br />reduzir emissões no setor energético e aí,</p><p>00;34;50;26 – 00;34;53;26<br />domesticamente pro Brasil<br />fica sempre o desafio</p><p>00;34;53;26 – 00;34;56;25<br />de manter essa alta renovabilidade<br />da nossa matriz</p><p>00;34;57;05 – 00;34;59;03<br />A medida que a gente vai adicionando</p><p>00;35;00;09 – 00;35;01;27<br />energia na matriz.</p><p>00;35;01;27 – 00;35;07;06<br />apesar dessa mudança do contexto internacional<br />o Brasil vai continuar defendendo</p><p>00;35;07;23 – 00;35;12;12<br />a transição energética e os debates<br />nesses fóruns com muito afinco</p><p>00;35;13;04 – 00;35;17;29<br />e segue sendo algo muito caro para nós e<br />para a diplomacia brasileira.</p><p>00;35;18;18 – 00;35;22;08<br />Muito obrigada, Laís, por compartilhar<br />seu conhecimento, sua visão</p><p>00;35;22;16 – 00;35;25;16<br />e agradeço também a você<br />que nos acompanhou até agora.</p><p>00;35;25;21 – 00;35;28;03<br />Esse foi o podcast Caminhos da Transição.</p><p>00;35;28;03 – 00;35;31;07<br />Se você gostou,<br />eu te convido para fazer a sua avaliação,</p><p>00;35;31;08 – 00;35;33;21<br />seu comentário,<br />enviar o link desse episódio</p><p>00;35;33;21 – 00;35;36;11<br />para quem precisa saber mais<br />sobre o assunto.</p><p>00;35;36;11 – 00;35;37;21<br />Te espero no próximo episódio</p>