<p>00;00;00;00 – 00;00;02;24<br />Então a gente precisa aproveitar<br />esse momento</p><p>00;00;02;24 – 00;00;06;13<br />pra olhar pro biocombustíveis<br />com novos olhos</p><p>00;00;06;13 – 00;00;10;07<br />e esses olhos mesmo,<br />de criar esses mercados globais.</p><p>00;00;10;07 – 00;00;14;12<br />E aí para a gente criar esses mercados<br />globais, a gente vai precisar conversar</p><p>00;00;14;12 – 00;00;18;07<br />e concordar sobre as regras de produção,<br />de comercialização,</p><p>00;00;18;07 – 00;00;20;07<br />de certificação desses combustíveis.</p><p>00;00;20;07 – 00;00;21;03<br />Então a gente tem</p><p>00;00;21;04 – 00;00;24;03<br />procurado participar desse debate<br />com muito afinco,</p><p>00;00;24;03 – 00;00;28;20<br />porque a gente acha que os combustíveis<br />têm um papel na transição energética,</p><p>00;00;28;27 – 00;00;33;02<br />em se afastar dos combustíveis fósseis,<br />porque a gente precisa criar substitutos</p><p>00;00;33;02 – 00;00;34;09<br />para os combustíveis fósseis</p><p>00;00;34;09 – 00;00;37;10<br />e a gente precisa fazer isso,<br />como eu disse, de uma maneira justa,</p><p>00;00;37;10 – 00;00;41;21<br />de uma maneira equitativa<br />e de forma que todos os países possam</p><p>00;00;41;21 – 00;00;44;26<br />competir e participar<br />desses mercados globais também.</p><p>00;00;54;09 – 00;00;58;05<br />Olá, eu sou Nicolas Lippolis<br />e esse é o Caminhos da Transição</p><p>00;00;58;17 – 00;01;01;23<br />o podcast do Centro de Energia,<br />Finanças e Desenvolvimento,</p><p>00;01;02;06 – 00;01;05;24<br />que promove conversas com as principais<br />vozes da transição energética</p><p>00;01;06;02 – 00;01;08;12<br />no Brasil e no mundo.</p><p>00;01;08;12 – 00;01;11;16<br />A cada episódio nós abordamos<br />questões centrais da transição energética</p><p>00;01;11;29 – 00;01;14;02<br />com foco em soluções inovadoras</p><p>00;01;14;12 – 00;01;17;26<br />e políticas públicas capazes<br />de destravar os principais obstáculos</p><p>00;01;18;04 – 00;01;21;04<br />na passagemn para uma economia de baixo carbono.</p><p>00;01;21;04 – 00;01;23;24<br />No episódio de hoje, vamos falar<br />sobre a diplomacia energética</p><p>00;01;23;24 – 00;01;25;11<br />e o papel estratégico do Brasil.</p><p>00;01;25;11 – 00;01;28;10<br />Olá, eu sou a Aline Scherer<br />e tenho a honra de apresentar</p><p>00;01;28;10 – 00;01;33;06<br />a nossa convidada deste episódio:<br />Laís Garcia é chefe da Divisão de Energia</p><p>00;01;33;06 – 00;01;36;17<br />Renovável do Ministério das Relações<br />Exteriores, o Itamaraty.</p><p>00;01;36;17 – 00;01;39;12<br />É diplomata de carreira há quase 20 anos.</p><p>00;01;39;12 – 00;01;43;26<br />Ela também atua como presidente<br />da Associação das Mulheres Diplomatas do Brasil.</p><p>00;01;44;04 – 00;01;47;01<br />Laís, seja muito bem vinda<br />ao caminho da transição.</p><p>00;01;48;29 – 00;01;50;26<br />Muito obrigado, Nicolas, Aline</p><p>00;01;50;26 – 00;01;53;26<br />é um prazer e uma honra para mim<br />conversar com vocês.</p><p>00;01;54;16 – 00;01;57;25<br />Laís, a transição energética<br />é um desafio global,</p><p>00;01;57;25 – 00;02;00;18<br />mas ela também oferece<br />uma oportunidade imensa</p><p>00;02;00;18 – 00;02;03;28<br />e o Brasil tem se posicionado<br />de uma forma muito ativa nesse cenário.</p><p>00;02;04;20 – 00;02;08;11<br />Por que a diplomacia<br />é tão importante para a transição</p><p>00;02;08;23 – 00;02;11;15<br />e qual o papel do Itamaraty para moldar</p><p>00;02;11;15 – 00;02;14;20<br />o futuro energético do Brasil e do mundo?</p><p>00;02;14;20 – 00;02;19;13</p><p>A transição<br />certamente é um dos grandes desafios</p><p>00;02;19;16 – 00;02;23;17<br />que estamos vivendo como humanidade<br />e a necessidade</p><p>00;02;23;17 – 00;02;26;17<br />de reduzir as emissões no setor energético</p><p>00;02;26;18 – 00;02;30;05<br />e, ao mesmo tempo, garantir acesso<br />à energia e desenvolvimento.</p><p>00;02;30;17 – 00;02;37;03<br />Então, o Brasil<br />vê a transição como esse e esse futuro</p><p>00;02;37;03 – 00;02;40;04<br />o que pode ser muito</p><p>00;02;40;08 – 00;02;43;08<br />importante para os países, especialmente<br />os países em desenvolvimento.</p><p>00;02;43;13 – 00;02;47;27<br />Caso a gente navegue<br />esse caminho da transição, com justiça,</p><p>00;02;47;27 – 00;02;52;16<br />com equidade, com inclusão,<br />então o papel do Itamaraty</p><p>00;02;52;16 – 00;02;56;05<br />é garantir que as visões do Brasil<br />nessas discussões</p><p>00;02;56;05 – 00;03;00;08<br />sobre transição energética<br />reflitam as necessidades,</p><p>00;03;00;15 – 00;03;04;27<br />os objetivos e as prioridades do Brasil<br />e do governo brasileiro.</p><p>00;03;05;08 – 00;03;08;08<br />E a gente tem feito isso<br />com bastante afinco</p><p>00;03;08;08 – 00;03;10;24<br />nesses últimos anos,<br />que têm sido bem intensos</p><p>00;03;10;24 – 00;03;14;07<br />para a agenda de transição energética.<br />Nesses últimos anos</p><p>00;03;14;25 – 00;03;17;06<br />nós tivemos a oportunidade</p><p>00;03;17;06 – 00;03;20;27<br />de sediar grandes eventos internacionais</p><p>00;03;20;27 – 00;03;24;06<br />multilaterais e isso deu para nós</p><p>00;03;24;06 – 00;03;27;29<br />a oportunidade ainda mais intensa</p><p>00;03;27;29 – 00;03;33;03<br />de moldar esses debates<br />e fazer o debate da transição energética</p><p>00;03;33;03 – 00;03;37;00<br />sob a perspectiva do Brasil,<br />sob a perspectiva dos países em desenvolvimento</p><p>00;03;37;00 – 00;03;40;22<br />Então, eu citaria o G-20,<br />o BRICS e a COP 30,</p><p>00;03;40;22 – 00;03;44;18<br />como esses últimos eventos<br />que permitiram ao Brasil também</p><p>00;03;45;05 – 00;03;48;05<br />dar esse tom para a transição energética</p><p>00;03;48;11 – 00;03;51;14<br />que a gente valoriza e quer promover</p><p>00;03;52;09 – 00;03;55;14<br />Essa projeção internacional<br />nos leva a um ponto crucial:</p><p>00;03;55;25 – 00;03;57;04<br />a transição energética</p><p>00;03;57;04 – 00;04;01;12<br />não pode ser um processo que aprofunda<br />desigualdades e, pelo contrário,</p><p>00;04;01;22 – 00;04;05;21<br />ela precisa ser justa, especialmente<br />para os países em desenvolvimento.</p><p>00;04;06;12 – 00;04;10;04<br />Só que muitas vezes, as soluções<br />que os países desenvolvidos propõem</p><p>00;04;10;16 – 00;04;13;16<br />não se encaixam nas realidades dos países<br />em desenvolvimento,</p><p>00;04;14;05 – 00;04;17;14<br />principalmente a questão da pobreza,<br />que continua sendo um grande desafio</p><p>00;04;17;24 – 00;04;20;01<br />e que tem que estar no centro<br />de qualquer política de transição.</p><p>00;04;21;02 – 00;04;24;05<br />Na COP 30 foi lançada a Declaração de Belém</p><p>00;04;24;05 – 00;04;27;19<br />para a industrialização Verde,<br />que é um exemplo claro disso.</p><p>00;04;28;14 – 00;04;31;13<br />Não podemos pensar<br />no sistema energético do futuro</p><p>00;04;31;16 – 00;04;35;04<br />sem considerar a importância da criação<br />de empregos e da inclusão social.</p><p>00;04;36;06 – 00;04;39;00<br />Como o Brasil<br />e outros países do Sul Global</p><p>00;04;39;00 – 00;04;41;20<br />podem promover uma iindustrialização verde?</p><p>00;04;41;20 – 00;04;45;03<br />E qual o papel da diplomacia nisso?<br />Obrigado por essa pergunta, Nicolas.</p><p>00;04;45;03 – 00;04;49;10<br />Porque a industrialização<br />verde sustentável</p><p>00;04;49;10 – 00;04;52;13<br />foi um dos grandes temas<br />que a gente trabalhou na COP 30</p><p>00;04;53;04 – 00;04;56;10<br />com muito afinco também,<br />principalmente na Agenda de Ação.</p><p>00;04;56;27 – 00;05;01;14<br />E eu fiquei muito feliz<br />com o resultado que a gente</p><p>00;05;01;14 – 00;05;05;02<br />teve em torno da Declaração de Belém<br />sobre a industrialização limpa,</p><p>00;05;05;02 – 00;05;08;08<br />que tem mais de 34 apoios entre países,</p><p>00;05;08;08 – 00;05;12;19<br />organismos internacionais.</p><p>00;05;12;22 – 00;05;15;03<br />O terceiro setor<br />também ficou muito engajado</p><p>00;05;15;03 – 00;05;18;29<br />porque, na verdade, eu<br />acho que a Declaração de Belém demonstra</p><p>00;05;19;16 – 00;05;24;15<br />como o Brasil quer que o tema<br />da transição energética seja abordado</p><p>00;05;24;15 – 00;05;27;16<br />de maneira a contemplar os interesses<br />dos países em desenvolvimento.</p><p>00;05;27;21 – 00;05;29;24<br />E isso quer dizer o quê exatamente?</p><p>00;05;29;24 – 00;05;33;05<br />Quer dizer que essa nova indústria<br />que está sendo criada</p><p>00;05;33;05 – 00;05;36;09<br />e que pode ser criada<br />pode ser muito maior do que ela é,</p><p>00;05;36;18 – 00;05;42;16<br />ela precisa contemplar os interesses,<br />as particularidades dos países</p><p>00;05;42;16 – 00;05;45;16<br />em desenvolvimento<br />e do que eu estou falando exatamente?</p><p>00;05;45;18 – 00;05;50;19<br />A gente tem gostado muito de dar exemplos<br />claros para deixar a coisa</p><p>00;05;51;17 – 00;05;53;28<br />mais, mais evidente.</p><p>00;05;53;28 – 00;05;57;22<br />Quando a gente fala de<br />quais são esses interesses, principalmente</p><p>00;05;58;18 – 00;06;02;00<br />a definição do que é, por exemplo,</p><p>00;06;02;02 – 00;06;05;08<br />do que são produtos verdes,</p><p>00;06;05;08 – 00;06;09;27<br />como eles são produzidos,<br />as emissões que estão ali</p><p>00;06;09;27 – 00;06;13;19<br />incluídas naquele,<br />naquele produto e as regras que.</p><p>00;06;13;20 – 00;06;17;05<br />E isso vai influenciar regras de comércio,<br />financiamento.</p><p>00;06;17;14 – 00;06;19;25<br />Então, o que a gente tem tentado fazer?</p><p>00;06;19;25 – 00;06;24;05<br />Tem tentado trazer a comissão<br />para a importância da gente ter regra,</p><p>00;06;25;03 – 00;06;28;25<br />que influenciam tudo<br />o que a gente faz em relação a indústria,</p><p>00;06;29;05 – 00;06;32;15<br />que contemplem as perspectivas dos países<br />em desenvolvimento.</p><p>00;06;32;15 – 00;06;35;23<br />E isso, na prática,<br />quer dizer que a gente vai transformar</p><p>00;06;35;23 – 00;06;40;14<br />o que a gente tem no Brasil em termos<br />de particularidade da nossa produção.</p><p>00;06;40;14 – 00;06;45;18<br />E aí eu poderia citar os bio insumos,<br />a energia renovável</p><p>00;06;45;18 – 00;06;48;27<br />que a gente tem em abundância<br />e como a gente vai transformar</p><p>00;06;49;16 – 00;06;54;10<br />essas características da produção<br />brasileira em ativos de competitividade.</p><p>00;06;54;11 – 00;06;57;17<br />Você falou em meios de renováveis<br />em abundância que o Brasil tem.</p><p>00;06;57;17 – 00;07;00;03<br />Acho que muita gente já sabe,<br />mas não custa pontuar.</p><p>00;07;00;03 – 00;07;04;02<br />A grande vantagem que isso é o Brasil,<br />que tem uma matriz energética</p><p>00;07;04;02 – 00;07;07;25<br />entre as mais limpas do mundo,<br />com 50% da energia</p><p>00;07;07;25 – 00;07;11;24<br />vindo de fontes renováveis<br />e 90% da eletricidade também</p><p>00;07;12;03 – 00;07;13;16<br />vindo das fontes renováveis.</p><p>00;07;13;16 – 00;07;16;29<br />Isso nos coloca nessa posição<br />realmente vantajosa</p><p>00;07;16;29 – 00;07;21;07<br />para a descarbonização da indústria<br />e produtos como o aço verde,</p><p>00;07;21;07 – 00;07;24;29<br />o SAF, que é a sigla em inglês<br />para combustível sustentável de aviação,</p><p>00;07;25;07 – 00;07;28;07<br />estão cada vez mais presentes<br />nas conversas no setor.</p><p>00;07;28;16 – 00;07;30;05<br />Quais novos mercados<br />em que o Brasil</p><p>00;07;30;05 – 00;07;33;05<br />pode transformar<br />a sua vantagem competitiva</p><p>00;07;33;11 – 00;07;36;11<br />em benefícios econômicos concretos?</p><p>00;07;37;05 – 00;07;39;28<br />Você mencionou dois setores</p><p>00;07;39;28 – 00;07;44;22<br />muito importantes: o do aço,<br />eu poderia dizer também</p><p>00;07;45;17 – 00;07;49;01<br />o do ferro,<br />ou os combustíveis sustentáveis</p><p>00;07;49;01 – 00;07;52;19<br />de aviação,<br />os combustíveis marítimos sustentáveis.</p><p>00;07;53;00 – 00;07;57;04<br />Todas essas áreas são áreas<br />em que o Brasil tem muito potencial</p><p>00;07;57;04 – 00;08;02;28<br />de participar dessas cadeias globais,<br />mas também enfrenta desafios.</p><p>00;08;03;11 – 00;08;08;03<br />Então, e os desafios estão bastante<br />relacionados com essa</p><p>00;08;08;12 – 00;08;10;16<br />A mesma questão que eu mencionei antes.</p><p>00;08;10;16 – 00;08;15;00<br />Como a gente vai definir<br />quais são os produtos sustentáveis?</p><p>00;08;15;00 – 00;08;18;06<br />Quais são as regras de sustentabilidade<br />que a gente precisa</p><p>00;08;18;15 – 00;08;21;13<br />aplicar para avaliar a sustentabilidade<br />desses produtos?</p><p>00;08;21;13 – 00;08;24;12<br />Quais são as regras<br />para calcular emissões?</p><p>00;08;24;19 – 00;08;27;13<br />E o Brasil precisa e tem que saber</p><p>00;08;27;13 – 00;08;30;14<br />e poder competir em condições de igualdade</p><p>00;08;31;04 – 00;08;33;28<br />com outros países e receber investimento.</p><p>00;08;33;28 – 00;08;37;23<br />Então o Brasil também tem procurado trazer mais</p><p>00;08;38;24 – 00;08;40;21<br />transparência para esse debate.</p><p>00;08;40;21 – 00;08;43;08<br />Então, quando a gente fala de combustíveis<br />sustentáveis,</p><p>00;08;43;08 – 00;08;47;09<br />quando a gente fala de produtos verdes,<br />a gente precisa ir além.</p><p>00;08;47;09 – 00;08;52;03<br />A gente precisa dar o passo a mais<br />e falar também de como a gente vai definir</p><p>00;08;52;18 – 00;08;55;20<br />como a gente avalia a sustentabilidade<br />desse produto.</p><p>00;08;56;01 – 00;08;59;25<br />Eu, sinceramente<br />acho que esse é o grande debate</p><p>00;08;59;25 – 00;09;02;27<br />para os países em desenvolvimento,<br />países como o Brasil.</p><p>00;09;03;00 – 00;09;07;08<br />Porque a gente, quanto mais definição<br />e clareza e transparência</p><p>00;09;07;08 – 00;09;11;11<br />a gente trouxer para esse debate,<br />mais a gente vai ser capaz de competir.</p><p>00;09;11;21 – 00;09;16;20<br />E aí, mais uma vez, o papel da diplomacia<br />brasileira, e o papel do Itamaraty</p><p>00;09;16;29 – 00;09;19;29<br />é participar de todos esses debates,<br />discussões</p><p>00;09;20;05 – 00;09;23;24<br />e definições de regras internacionais,</p><p>00;09;24;01 – 00;09;26;24<br />trazendo a visão brasileira,</p><p>00;09;26;24 – 00;09;31;18<br />tendo certeza de que os nossos produtos<br />estão sendo contemplados</p><p>00;09;31;18 – 00;09;34;18<br />nesse novo mundo de regras que estão<br />se criando.</p><p>00;09;35;02 – 00;09;38;14<br />Então, é fundamental<br />que a gente esteja muito ativo</p><p>00;09;39;04 – 00;09;42;04<br />e atuante para ter certeza de que o Brasil</p><p>00;09;42;07 – 00;09;46;29<br />está contemplado nesse futuro<br />mais limpo e mais sustentável.</p><p>00;09;46;29 – 00;09;49;29<br />Laís, você é diplomata de carreira</p><p>00;09;50;21 – 00;09;54;15<br />e para nós, não diplomatas,<br />às vezes, esse mundo da diplomacia,</p><p>00;09;54;15 – 00;09;57;15<br />para os não iniciados,<br />pode parecer muito confuso</p><p>00;09;57;23 – 00;10;00;22<br />na proliferação de siglas,</p><p>00;10;00;22 – 00;10;04;04<br />de fóruns, de encontros,<br />e aí a maioria das pessoas</p><p>00;10;04;04 – 00;10;07;11<br />às vezes tem dificuldade em entender<br />para que serve qual coisa.</p><p>00;10;08;10 – 00;10;12;18<br />Você poderia nos ajudar a esclarecer<br />quais são os principais fóruns</p><p>00;10;12;18 – 00;10;16;06<br />em que essas regras são definidas<br />e se definem os padrões?</p><p>00;10;16;17 – 00;10;21;18<br />É o G-20, é a COP, é o BRICS…<br />Quais são os fóruns mais importantes</p><p>00;10;21;21 – 00;10;25;13<br />que essas discussões que você menciona,<br />que, pelo que você diz, são fundamentais</p><p>00;10;25;18 – 00;10;28;28<br />para o futuro da transição energética,<br />mas onde que elas ocorrem exatamente?</p><p>00;10;31;01 – 00;10;36;25<br />Bom, existem fóruns políticos<br />em que a gente discute</p><p>00;10;37;15 – 00;10;41;25<br />as visões sobre a transição energética,<br />sobre o futuro,</p><p>00;10;42;06 – 00;10;47;02<br />sobre que tipos de energia<br />devem ser privilegiadas no futuro.</p><p>00;10;47;02 – 00;10;49;28<br />E esses foros são basicamente políticos.</p><p>00;10;49;28 – 00;10;52;29<br />Então a gente está falando aqui<br />de G-20, de BRICS,</p><p>00;10;53;19 – 00;10;59;23<br />também, da COP,<br />que num nível muito, muito mais geral,</p><p>00;11;00;10 – 00;11;05;10<br />mas especificamente em<br />se falando de energia, essas discussões</p><p>00;11;05;10 – 00;11;09;15<br />são muito fragmentadas, porque não existe<br />um regime internacional sobre a energia.</p><p>00;11;09;15 – 00;11;16;01<br />A gente tem um regime de clima, que é<br />a Conferência das Partes e os acordos</p><p>00;11;17;06 – 00;11;18;29<br />derivados dela.</p><p>00;11;18;29 – 00;11;22;21<br />Mas energia são discussões<br />muito fragmentadas.</p><p>00;11;22;21 – 00;11;26;20<br />Então a gente tem muitas discussões também<br />que se dão no âmbito</p><p>00;11;26;20 – 00;11;28;07<br />da Agência Internacional de Energia.</p><p>00;11;28;07 – 00;11;31;06<br />A gente tem a Agência Internacional<br />de Energias Renováveis.</p><p>00;11;31;06 – 00;11;33;29<br />Também temos discussões de energia no G20.</p><p>00;11;33;29 – 00;11;36;29<br />Temos discussões regionais de energia<br />também.</p><p>00;11;37;03 – 00;11;43;04<br />E eu diria que a gente tem o nível<br />macro de definições políticas,</p><p>00;11;43;04 – 00;11;46;21<br />entendimentos que ocorrem nesses fóruns<br />que eu mencionei,</p><p>00;11;46;28 – 00;11;50;22<br />e depois a gente tem as regras<br />mais específicas,</p><p>00;11;50;22 – 00;11;53;21<br />dependendo do setor.</p><p>00;11;54;11 – 00;11;57;17<br />E aí eu vou citar, por exemplo,<br />a Organização Internacional da Aviação</p><p>00;11;57;17 – 00;12;01;15<br />Civil, que é a OACI em que foram definidos</p><p>00;12;01;15 – 00;12;05;23<br />há algum tempo já, mas continuam em debate<br />essas regras. Por exemplo:</p><p>00;12;06;04 – 00;12;10;06<br />o que são ou quais são as rotas<br />tecnológicas dos combustíveis</p><p>00;12;10;06 – 00;12;14;29<br />sustentáveis de aviação<br />e quais rotas tecnológicas as partes</p><p>00;12;16;00 – 00;12;18;02<br />obrigadas, que no caso são as empresas</p><p>00;12;18;02 – 00;12;22;09<br />aéreas, por exemplo,<br />vão poder usar para compensar as emissões.</p><p>00;12;22;13 – 00;12;26;25<br />Então a OACI é um foro<br />extremamente importante, por exemplo,</p><p>00;12;27;05 – 00;12;30;05<br />para definir<br />quais são as rotas tecnológicas</p><p>00;12;30;05 – 00;12;34;14<br />e os combustíveis sustentáveis de aviação<br />que vão ser aceitos para compensar</p><p>00;12;34;14 – 00;12;38;02<br />emissões, então esse é um debate<br />que o Brasil está muito presente também.</p><p>00;12;38;15 – 00;12;41;08<br />Eu vou citar um outro fórum em que isso</p><p>00;12;41;08 – 00;12;45;05<br />também vai passar acontecer<br />e de certa forma</p><p>00;12;45;05 – 00;12;48;21<br />já está acontecendo, que é a Organização<br />Marítima Internacional.</p><p>00;12;49;06 – 00;12;52;08<br />Do mesmo jeito<br />que a gente precisou discutir</p><p>00;12;52;26 – 00;12;56;16<br />os parâmetros para saber se a gente<br />vai discutir para combustível marítimo.</p><p>00;12;56;26 – 00;12;59;16<br />E aí o Brasil também está muito ativo</p><p>00;12;59;16 – 00;13;04;07<br />também no sentido<br />de ter certeza de que os insumos,</p><p>00;13;04;07 – 00;13;09;07<br />as matérias-primas brasileiras,<br />as rotas tecnológicas que a gente domina,</p><p>00;13;09;07 – 00;13;12;21<br />ou que quer dominar no futuro<br />estão sendo contempladas</p><p>00;13;12;21 – 00;13;17;14<br />e vão ser incluídas também nesse rol<br />de rotas tecnológicas de combustíveis</p><p>00;13;17;14 – 00;13;21;07<br />que podem ser usados na descarbonização<br />do setor marítimo.</p><p>00;13;21;07 – 00;13;22;23<br />E o Brasil, ele tem defendido</p><p>00;13;22;23 – 00;13;26;29<br />uma neutralidade tecnológica,<br />que é não privilegiar uma rota específica.</p><p>00;13;27;10 – 00;13;31;28<br />Por exemplo, a eletrificação<br />que sabemos que é uma solução</p><p>00;13;32;08 – 00;13;35;25<br />que, especialmente na Europa, era adotada<br />como a solução principal</p><p>00;13;35;25 – 00;13;37;23<br />ou única para a transição energética.</p><p>00;13;37;23 – 00;13;40;16<br />Mas hoje estamos vendo<br />que não é bem assim.</p><p>00;13;40;16 – 00;13;43;19<br />E o Brasil sempre tem defendido a posição<br />que cada país</p><p>00;13;43;19 – 00;13;47;06<br />tem que definir os caminhos viáveis<br />para a sua transição energética.</p><p>00;13;48;09 – 00;13;50;05<br />Se puder explicar um pouquinho mais para a gente</p><p>00;13;50;05 – 00;13;55;22<br />porque essa discussão é tão vital,<br />especialmente falando dos biocombustíveis,</p><p>00;13;55;26 – 00;13;58;26<br />que são tão centrais<br />para a transição energética do Brasil.</p><p>00;13;59;29 – 00;14;00;14<br />Perfeito!</p><p>00;14;00;14 – 00;14;02;06<br />Essa é uma excelente pergunta.</p><p>00;14;02;06 – 00;14;04;13<br />É um tema</p><p>00;14;04;13 – 00;14;07;04<br />quase diário aqui no nosso trabalho.</p><p>00;14;07;04 – 00;14;09;07<br />É algo que eu gosto bastante de dizer.</p><p>00;14;09;07 – 00;14;13;10<br />É que quando o Brasil menciona o termo</p><p>00;14;13;18 – 00;14;17;13<br />neutralidade tecnológica,<br />a gente não gosta de ser confundido</p><p>00;14;17;24 – 00;14;21;16<br />com outros países<br />que mencionam neutralidade tecnológica</p><p>00;14;21;26 – 00;14;25;13<br />para, na verdade, continuar<br />usando fontes poluentes de energia.</p><p>00;14;25;13 – 00;14;27;18<br />Então, esse não é o caso do Brasil.</p><p>00;14;27;18 – 00;14;31;01<br />Quando a gente fala de neutralidade<br />tecnológica, a gente quer dizer</p><p>00;14;31;22 – 00;14;35;12<br />que é o potencial das energias,</p><p>00;14;35;12 – 00;14;39;10<br />ele precisa ser avaliado</p><p>00;14;39;10 – 00;14;44;20<br />de acordo com a intensidade de emissões<br />e a sustentabilidade daquela produção,</p><p>00;14;44;29 – 00;14;49;10<br />preferencialmente no ciclo<br />completo de produção daquela energia.</p><p>00;14;49;12 – 00;14;52;13<br />Então a gente,<br />por que a gente precisa fazer isso?</p><p>00;14;52;19 – 00;14;57;13<br />Porque a gente precisa ter igualdade<br />de condições, é um “level playing field”</p><p>00;14;57;15 – 00;14;58;18<br />que a gente normalmente fala</p><p>00;14;59;17 – 00;15;01;02<br />nesses debates internacionais.</p><p>00;15;01;02 – 00;15;04;28<br />Então a gente precisa comparar banana<br />com banana, maçã com maçã.</p><p>00;15;04;28 – 00;15;07;28<br />Mas se a gente está comparando<br />só a tecnologia,</p><p>00;15;08;08 – 00;15;12;06<br />a tendência é que os países que preferem<br />uma tecnologia</p><p>00;15;12;06 – 00;15;15;17<br />vão colocar regras mais favoráveis<br />para aquelas tecnologias,</p><p>00;15;15;24 – 00;15;18;16<br />ou que eles gostam,<br />ou que é mais barato no país deles,</p><p>00;15;18;16 – 00;15;21;07<br />ou que eles dominam,<br />ou que eles querem vender.</p><p>00;15;21;07 – 00;15;24;29<br />Então, essa é uma grande questão para o Brasil.</p><p>00;15;24;29 – 00;15;28;28</p><p>E aí com os biocombustíveis<br />é exatamente isso:</p><p>00;15;29;05 – 00;15;31;28<br />a gente precisa</p><p>00;15;31;28 – 00;15;36;01<br />concordar entre os países,<br />essas agências internacionais,</p><p>00;15;36;01 – 00;15;40;03<br />as agências financiadoras,<br />certificadoras em uma maneira</p><p>00;15;40;03 – 00;15;43;20<br />de medir as emissões<br />das fontes energéticas que não</p><p>00;15;44;00 – 00;15;47;16<br />não dependa da tecnologia que estão<br />sendo usadas para ser produzidas.</p><p>00;15;47;19 – 00;15;51;13<br />Mas, de fato, na redução de emissões<br />que aquelas tecnologias</p><p>00;15;51;13 – 00;15;55;04<br />vão trazer em relação ao correspondente<br />fóssil.</p><p>00;15;55;12 – 00;15;59;02<br />E aí, em relação aos biocombustíveis,<br />a gente tem uma experiência</p><p>00;15;59;08 – 00;16;03;04<br />muito significativa aqui no Brasil<br />com o RenovaBio,</p><p>00;16;03;04 – 00;16;08;07<br />a calculadora do RenovaBio e o Brasil<br />tem aplicado uma regra que eu acho,</p><p>00;16;08;07 – 00;16;12;14<br />na verdade, a regra de ouro,<br />inclusive para políticas públicas,</p><p>00;16;12;24 – 00;16;17;19<br />que sejam de fato<br />efetivas, que é você avaliar</p><p>00;16;18;20 – 00;16;20;26<br />o ciclo, a vida completa, a</p><p>00;16;20;26 – 00;16;24;03<br />análise do ciclo de vida<br />completa, por exemplo, de um combustível.</p><p>00;16;24;21 – 00;16;28;00<br />Então, o que o Brasil tem tentado fazer<br />é exatamente</p><p>00;16;28;00 – 00;16;31;17<br />isso é mostrar que a gente precisa desenvolver</p><p>00;16;32;29 – 00;16;35;07<br />e concordar</p><p>00;16;35;07 – 00;16;39;29<br />entre os países do mundo<br />sobre formas de contar essas emissões</p><p>00;16;40;01 – 00;16;45;00<br />dessa maneira justa, científica de maneira<br />que, quando você for fazer a política,</p><p>00;16;45;00 – 00;16;50;06<br />seja uma política doméstica de transição<br />energética, seja uma política comercial,</p><p>00;16;50;14 – 00;16;53;18<br />ou seja, por exemplo,<br />o comércio que você de fato esteja</p><p>00;16;54;03 – 00;16;58;23<br />premiando aquelas alternativas de<br />tecnologias que estão reduzindo emissões.</p><p>00;16;59;02 – 00;17;03;04</p><p>E o caso dos biocombustíveis<br />é um caso clássico porque muitas pessoas</p><p>00;17;03;21 – 00;17;08;06<br />simplesmente escutam biocombustível<br />e falam “Não, biocombustíveis não.”</p><p>00;17;08;11 – 00;17;11;00<br />por vários</p><p>00;17;11;00 – 00;17;14;05<br />preconceitos,<br />às vezes infundados, às vezes não.</p><p>00;17;14;16 – 00;17;18;03<br />E o que o Brasil tem tentado fazer<br />em diversos fóruns internacionais e falar</p><p>00;17;18;03 – 00;17;21;07<br />assim:<br />Vamos conversar sobre biocombustíveis,</p><p>00;17;21;18 – 00;17;25;08<br />vamos olhar para como eles são produzidos,<br />vamos ser transparentes</p><p>00;17;25;08 – 00;17;26;28<br />e vamos, de fato, comparar.</p><p>00;17;26;28 – 00;17;30;27<br />E aí, dependendo de onde você esteja,<br />da sua aptidão local,</p><p>00;17;30;27 – 00;17;35;06<br />do seu potencial agrícola<br />ou da sua disponibilidade de terras,</p><p>00;17;35;06 – 00;17;37;26<br />ou do tanto de emprego local<br />que você quer criar,</p><p>00;17;37;26 – 00;17;41;20<br />porque isso é um fator importante<br />também, os países decidam</p><p>00;17;41;20 – 00;17;44;02<br />quais são as alternativas<br />mais convenientes.</p><p>00;17;44;02 – 00;17;47;11<br />Mas a gente não pode simplesmente partir</p><p>00;17;47;21 – 00;17;50;23<br />do princípio de que uma tecnologia<br />é melhor do que a outra.</p><p>00;17;51;01 – 00;17;54;11<br />Laís, você falou em análise<br />do ciclo de vida do produto.</p><p>00;17;54;11 – 00;17;57;07<br />Só pra colocar todo mundo<br />que tá assistindo na mesma página.</p><p>00;17;57;07 – 00;18;00;25<br />O que significa essa<br />análise de ciclo de vida de um produto?</p><p>00;18;00;26 – 00;18;05;14<br />Você falou em vazamento também de emissões<br />nesse meio do caminho dessa análise</p><p>00;18;05;25 – 00;18;10;01<br />E também, adicionar aqui uma questão<br />sobre por que ainda tem esse preconceito</p><p>00;18;10;26 – 00;18;12;25<br />com relação aos biocombustíveis do Brasil?</p><p>00;18;14;21 – 00;18;16;14<br />Bom, então, análise de</p><p>00;18;16;14 – 00;18;20;07<br />ciclo de vida quer dizer, a gente<br />olhar para todo o ciclo</p><p>00;18;20;07 – 00;18;23;22<br />de produção de um produto e estimar,</p><p>00;18;23;22 – 00;18;27;29<br />ou contabilizar as emissões<br />até aquele produto final.</p><p>00;18;28;23 – 00;18;34;03</p><p>E aí a gente vai contar, por exemplo,<br />dando um exemplo aqui não exaustivo</p><p>00;18;34;03 – 00;18;39;04<br />do ciclo de vida, por exemplo,<br />de um biocombustível brasileiro.</p><p>00;18;39;19 – 00;18;42;05<br />Então, vamos supor o etanol,</p><p>00;18;42;05 – 00;18;44;20<br />o etanol de cana.<br />Então, o que?</p><p>00;18;44;20 – 00;18;47;23<br />Em que terra<br />eu estou produzindo aquela cana?</p><p>00;18;48;10 – 00;18;51;10<br />E quais são os tipos de<br />insumos que eu estou usando:</p><p>00;18;51;17 – 00;18;54;17<br />fertilizantes, defensivos?</p><p>00;18;54;19 – 00;18;57;26<br />Que tipo de colheita eu faço?</p><p>00;18;57;26 – 00;19;00;03<br />O que eu faço com os rejeitos?</p><p>00;19;00;03 – 00;19;03;05<br />Qual é a energia que eu uso para</p><p>00;19;03;11 – 00;19;04;25<br />abastecer a minha usina?</p><p>00;19;05;01 – 00;19;07;26<br />Como eu faço o transporte daquele<br />combustível do produtor até o consumidor</p><p>00;19;08;06 – 00;19;12;14<br />e do produtor até o consumidor e depois a</p><p>00;19;13;21 – 00;19;16;22<br />os efeitos<br />na atmosfera da queima daquele.</p><p>00;19;17;04 – 00;19;20;12<br />Então, isso é uma análise do ciclo de vida</p><p>00;19;20;23 – 00;19;24;21<br />e a gente pode ter análises<br />que não são completas.</p><p>00;19;24;21 – 00;19;28;14<br />Então, algumas propostas, por exemplo,<br />de contabilização de emissões,</p><p>00;19;28;25 – 00;19;33;14<br />elas são assim: pro biocombustível,<br />a gente vai contabilizar tudo,</p><p>00;19;33;14 – 00;19;38;08<br />a gente vai contabilizar carbono no solo<br />e fertilizante e tal.</p><p>00;19;38;09 – 00;19;41;29<br />Mas para o hidrogênio<br />a gente só vai contabilizar, por exemplo,</p><p>00;19;41;29 – 00;19;44;29<br />uma parte. Então eu não vou contar</p><p>00;19;45;00 – 00;19;46;22<br />aquela planta de hidrogênio,</p><p>00;19;46;22 – 00;19;50;07<br />os investimentos, as emissões usadas<br />para fazer aquela planta, por exemplo.</p><p>00;19;50;15 – 00;19;52;22<br />E isso é o que traz as inconsistências.</p><p>00;19;52;22 – 00;19;56;29<br />Então, o Brasil defende<br />essa análise de ciclo de vida completa</p><p>00;19;57;14 – 00;20;00;10<br />exatamente<br />para que o formulador da política,</p><p>00;20;00;10 – 00;20;05;17<br />o governo, de fato, possa estimar a redução de emissões.</p><p>00;20;05;27 – 00;20;09;10</p><p>Então ela é feita do berço ao túmulo.<br />E isso é muito importante</p><p>00;20;09;10 – 00;20;13;03<br />para você evitar esse escape de emissões.</p><p>00;20;13;03 – 00;20;16;10<br />Ou seja, evitar que uma parte das emissões</p><p>00;20;17;05 – 00;20;19;29<br />que foram geradas para a produção</p><p>00;20;19;29 – 00;20;23;14<br />daquele produto escapem à contabilidade.</p><p>00;20;23;14 – 00;20;29;07<br />Para que a gente possa ter<br />a maior precisão possível e contabilizar</p><p>00;20;30;08 – 00;20;31;26<br />com precisão a emissão</p><p>00;20;31;26 – 00;20;34;27<br />de um produto ou de uma fonte energética.</p><p>00;20;34;27 – 00;20;39;06<br />Então isso é mais ou menos em linhas<br />gerais, a análise do ciclo de vida.</p><p>00;20;39;13 – 00;20;42;17<br />Eu entendo que o que a gente chama<br />de preconceito</p><p>00;20;42;17 – 00;20;45;17<br />em relação aos biocombustíveis</p><p>00;20;45;17 – 00;20;48;24<br />está baseado tanto em fatos como</p><p>00;20;49;16 – 00;20;53;05<br />em preconceitos mesmo</p><p>00;20;54;05 – 00;20;58;16<br />Pré concepções sobre algo<br />que às vezes é até desconhecido,</p><p>00;20;59;00 – 00;21;03;01<br />mas principalmente relacionado<br />à questão da mudança,</p><p>00;21;03;01 – 00;21;07;03<br />do uso da terra ou do desmatamento,<br />porque de fato, existiram países</p><p>00;21;07;18 – 00;21;10;18<br />que produziram biocombustíveis</p><p>00;21;10;29 – 00;21;13;11<br />sem respeitar,</p><p>00;21;13;11 – 00;21;17;16<br />por exemplo, regras de desmatamento<br />ou evitar desmatamento</p><p>00;21;17;16 – 00;21;21;07<br />ou sem o controle sobre isso.<br />E isso de fato aconteceu.</p><p>00;21;21;07 – 00;21;26;08<br />Não é o caso do Brasil,<br />porque a gente tem regras bastante claras</p><p>00;21;26;08 – 00;21;29;16<br />A gente tem uma lei ambiental que</p><p>00;21;30;04 – 00;21;32;21<br />não permite que isso aconteça no Brasil,<br />mas muitos,</p><p>00;21;32;21 – 00;21;35;18<br />muitos países fizeram isso<br />e eu acho que isso prejudicou</p><p>00;21;35;18 – 00;21;39;08<br />a sustentabilidade,<br />ou a imagem dos biocombustíveis.</p><p>00;21;39;08 – 00;21;43;19<br />Então isso é real<br />e eu acho que é desconhecimento de fato</p><p>00;21;43;19 – 00;21;48;06<br />sobre as condições<br />em que biocombustíveis são produzidos.</p><p>00;21;48;06 – 00;21;52;04<br />Ou a priori pensar que pode<br />existir, por exemplo,</p><p>00;21;52;04 – 00;21;56;20<br />uma competição<br />entre alimentos e biocombustíveis,</p><p>00;21;56;20 – 00;22;02;00<br />dependendo da matéria-prima que você usa<br />Então eu vejo isso como uma falta</p><p>00;22;02;29 – 00;22;06;01<br />de precisão das informações,</p><p>00;22;06;18 – 00;22;11;26<br />e eu acho que o Brasil tem tentado<br />bastante fomentar o debate,</p><p>00;22;11;27 – 00;22;15;05<br />fomentar a cooperação<br />sobre sustentabilidade,</p><p>00;22;15;05 – 00;22;18;13<br />de maneira que a gente consiga<br />cada vez mais ter transparência na</p><p>00;22;19;00 – 00;22;22;05<br />produção dos combustíveis e fazê-los<br />de maneira que eles possam ser</p><p>00;22;22;05 – 00;22;26;11<br />certificados e verificáveis.<br />E isso é algo que o Brasil tem feito</p><p>00;22;26;11 – 00;22;30;09<br />não só domesticamente, mas a gente<br />tem cooperado muito sobre isso também.</p><p>00;22;30;21 – 00;22;32;24<br />Então, o Brasil tem programas de cooperação</p><p>00;22;32;24 – 00;22;36;07<br />com diversos países, especificamente<br />sobre a questão da sustentabilidade</p><p>00;22;36;16 – 00;22;42;05<br />para que a gente consiga aumentar a transparência</p><p>00;22;42;05 – 00;22;46;14<br />mas também fomentar a adoção<br />de critérios de sustentabilidade.</p><p>00;22;46;14 – 00;22;48;14<br />Então, isso é algo de fato<br />muito importante</p><p>00;22;48;14 – 00;22;50;12<br />em relação aos biocombustíveis.</p><p>00;22;50;12 – 00;22;53;02<br />E todos os biocombustíveis<br />têm que ser sustentáveis.</p><p>00;22;53;02 – 00;22;55;29<br />Então a gente precisa escolher as rotas</p><p>00;22;55;29 – 00;22;58;29<br />que vão permitir essa sustentabilidade.</p><p>00;22;59;04 – 00;23;01;18<br />Mas também existe, Aline,</p><p>00;23;01;18 – 00;23;05;24<br />uma questão de competição comercial<br />e a gente não pode negar.</p><p>00;23;06;01 – 00;23;11;04<br />Nem todos os países do mundo são capazes,<br />tem disponibilidade de terra,</p><p>00;23;11;04 – 00;23;15;21<br />dominam a tecnologia<br />para fazer, ou tem aptidão</p><p>00;23;17;03 – 00;23;19;25<br />natural para produzir biocombustíveis,<br />por exemplo.</p><p>00;23;19;25 – 00;23;24;14<br />Do mesmo jeito que nem todos os países<br />ou muitos países não vão produzir energia</p><p>00;23;24;14 – 00;23;27;18<br />solar na mesma intensidade<br />que outros, a gente sabe que dependendo</p><p>00;23;27;18 – 00;23;31;09<br />de onde você está no mundo,<br />você tem maior potencialidade</p><p>00;23;31;09 – 00;23;35;10<br />para certos tipos de energia<br />E com biocombustíveis é a mesma coisa.</p><p>00;23;35;18 – 00;23;37;11<br />Então,</p><p>00;23;37;11 – 00;23;41;14<br />o Brasil é muito competitivo nessa área<br />e isso gera também</p><p>00;23;41;20 – 00;23;47;02<br />resistências de países que não dominam<br />nem nunca vão dominar essa tecnologia.</p><p>00;23;47;13 – 00;23;51;20<br />Mas a gente tem<br />visto que os combustíveis sustentáveis,</p><p>00;23;51;20 – 00;23;54;19<br />eles são muito importantes<br />para a transição energética.</p><p>00;23;54;28 – 00;23;59;27<br />E a gente viu que essas discussões no ar<br />até a adoção desse marco</p><p>00;24;00;15 – 00;24;04;04<br />regulatório,<br />que vai forçar as companhias aéreas</p><p>00;24;04;04 – 00;24;10;12<br />a compensarem as emissões , na IMO,<br />a mesma coisa, trouxeram para esse</p><p>00;24;10;12 – 00;24;15;08<br />setor dos combustíveis sustentáveis<br />uma visibilidade grande nos últimos anos.</p><p>00;24;15;08 – 00;24;20;03</p><p>A gente, os biocombustíveis,<br />eles tiveram, vamos dizer assim.</p><p>00;24;20;03 – 00;24;24;03<br />Eles ficaram “cool” de novo<br />vamos dizer assim, por causa dessa demanda</p><p>00;24;24;12 – 00;24;26;14<br />que está sendo criada por esses setores<br />que a gente chama de difícil abatimento</p><p>00;24;26;14 – 00;24;28;16<br />que está sendo criada por esses setores<br />que a gente chama de difícil abatimento</p><p>00;24;28;18 – 00;24;31;02<br />e que vão ser de difícil eletrificação.</p><p>00;24;31;02 – 00;24;33;26<br />Então a gente precisa aproveitar<br />esse momento</p><p>00;24;33;26 – 00;24;37;19<br />pra olhar pro biocombustíveis<br />com novos olhos</p><p>00;24;37;27 – 00;24;41;23<br />e esses olhos mesmo,<br />de criar esses mercados globais.</p><p>00;24;41;23 – 00;24;45;29<br />E aí para a gente criar esses mercados<br />globais, a gente vai precisar conversar</p><p>00;24;45;29 – 00;24;49;24<br />e concordar sobre as regras de produção,<br />de comercialização,</p><p>00;24;49;24 – 00;24;53;12<br />de certificação desses combustíveis.<br />Então a gente tem</p><p>00;24;53;14 – 00;24;56;14<br />procurado participar desse debate<br />com muito afinco,</p><p>00;24;56;14 – 00;25;01;03<br />porque a gente acha que os combustíveis<br />têm um papel na transição energética,</p><p>00;25;01;10 – 00;25;05;15<br />em se afastar dos combustíveis fósseis,<br />porque a gente precisa criar substitutos</p><p>00;25;05;15 – 00;25;07;05<br />para os combustíveis fósseis</p><p>00;25;07;05 – 00;25;10;07<br />e a gente precisa fazer isso,<br />como eu disse, de uma maneira justa,</p><p>00;25;10;07 – 00;25;14;18<br />de uma maneira equitativa<br />e de forma que todos os países possam</p><p>00;25;14;18 – 00;25;17;23<br />competir e participar<br />desses mercados globais também.</p><p>00;25;17;23 – 00;25;20;24<br />Não só usar domesticamente, mas</p><p>00;25;20;27 – 00;25;22;28<br />comercializar e vender combustível.</p><p>00;25;22;28 – 00;25;25;28</p><p>Você falou que os biocombustíveis<br />ficaram</p><p>00;25;25;28 – 00;25;28;28<br />“cool” de novo, mais legais.</p><p>00;25;29;12 – 00;25;32;06<br />Eu lembrei de ver notícia<br />falando que tem empresa</p><p>00;25;32;06 – 00;25;37;02<br />investindo em milho para biocombustíveis,<br />em macaúba,</p><p>00;25;37;14 – 00;25;38;16<br />que é um insumo que eu nunca tinha ouvido<br />falar.</p><p>00;25;38;16 – 00;25;39;14<br />É muito interessante mesmo.</p><p>00;25;39;14 – 00;25;42;01</p><p>E aí a gente olha a dificuldade.</p><p>00;25;42;01 – 00;25;46;06<br />A macaúba possivelmente é<br />uma matéria-prima que só existe no Brasil.</p><p>00;25;46;25 – 00;25;51;01<br />Então como é que você vai chegar lá<br />na Organização Internacional</p><p>00;25;51;01 – 00;25;56;05<br />da Aviação Civil e falar assim<br />Olha, eu tenho aqui uma rota tecnológica</p><p>00;25;56;05 – 00;26;00;05<br />pra produzir SAF com macaúba. E aí,<br />como é que você</p><p>00;26;00;29 – 00;26;02;22<br />demonstra a sustentabilidade?</p><p>00;26;02;22 – 00;26;07;24<br />Como é que você. Então, existe muito<br />essa é a especificidade científica.</p><p>00;26;07;27 – 00;26;09;10<br />Então a gente tem muitos técnicos</p><p>00;26;09;10 – 00;26;13;06<br />e cientistas que trabalham<br />conjuntamente conosco para fazer isso,</p><p>00;26;13;06 – 00;26;17;14<br />porque tudo é mapeado,<br />tudo é extremamente detalhado</p><p>00;26;17;14 – 00;26;21;09<br />em termos da produção,<br />mas também é tudo muito específico.</p><p>00;26;21;16 – 00;26;24;13<br />Do mesmo jeito que o Japão, por exemplo,<br />tem uma rota</p><p>00;26;24;13 – 00;26;27;19<br />de produção de SAF com coco disforme.</p><p>00;26;27;19 – 00;26;31;09<br />Então assim, cada país vai ter uma</p><p>00;26;31;09 – 00;26;34;14<br />especificidade, uma matéria-prima específica.</p><p>00;26;34;14 – 00;26;39;12<br />e a gente quer essa diversidade<br />porque a gente precisa de todas as rotas</p><p>00;26;39;22 – 00;26;42;15<br />É por isso que a gente precisa ter<br />critérios,</p><p>00;26;42;15 – 00;26;46;11<br />vamos dizer assim,<br />transparentes e universais o suficiente</p><p>00;26;46;21 – 00;26;49;04<br />para permitir<br />que todas essas matérias-primas</p><p>00;26;49;04 – 00;26;54;04<br />sejam usadas,<br />sejam contabilizadas e mereçam a</p><p>00;26;54;21 – 00;26;59;24<br />redução ou façam jus à redução de emissões<br />que elas de fato apresentam.</p><p>00;26;59;24 – 00;27;02;05<br />É importante aqui mencionar</p><p>00;27;02;05 – 00;27;05;20<br />o compromisso de Belém<br />pelos combustíveis sustentáveis</p><p>00;27;06;23 – 00;27;08;10<br />Belém 4X</p><p>00;27;08;10 – 00;27;11;08<br />que foi assinado, que foi lançado na COP</p><p>00;27;11;08 – 00;27;15;21<br />e que basicamente vários países<br />se comprometeram a quadruplicar</p><p>00;27;16;06 – 00;27;20;10<br />a produção de combustíveis sustentáveis<br />até 2035, que é uma vitória,</p><p>00;27;20;15 – 00;27;23;15<br />eu diria,<br />da atuação diplomática do Itamaraty</p><p>00;27;23;18 – 00;27;26;18<br />e que realmente vocês têm conseguido<br />pautar esse tema</p><p>00;27;26;22 – 00;27;29;21<br />aí nos fóruns internacionais.</p><p>00;27;30;01 – 00;27;32;04<br />A gente também comemorou bastante.</p><p>00;27;32;04 – 00;27;35;03<br />A adoção desse compromisso.</p><p>00;27;35;03 – 00;27;38;15<br />Foi a adoção oficial, formal foi feita</p><p>00;27;38;15 – 00;27;41;22<br />durante a cúpula de líderes de Belém.</p><p>00;27;41;22 – 00;27;44;29<br />Então, o presidente Lula se envolveu<br />pessoalmente também,</p><p>00;27;44;29 – 00;27;48;15<br />convidando os países<br />a adotarem esse compromisso.</p><p>00;27;48;15 – 00;27;52;14<br />E é interessante<br />dizer que esse compromisso</p><p>00;27;52;14 – 00;27;56;02<br />é baseado num relatório<br />da Agência Nacional de Energia,</p><p>00;27;56;19 – 00;28;01;08<br />que foi feito graças também<br />à atuação do Brasil junto a essa agência.</p><p>00;28;01;08 – 00;28;04;26<br />A gente tem desenvolvido<br />um trabalho muito próximo deles</p><p>00;28;05;05 – 00;28;09;02<br />nessa pauta dos combustíveis<br />e vem crescendo e</p><p>00;28;10;16 – 00;28;13;25<br />se diversificando também desde o G20.</p><p>00;28;14;16 – 00;28;19;03<br />Então eles fizeram essa projeção<br />de que é possível e factível</p><p>00;28;19;03 – 00;28;22;06<br />quadruplicar o uso dos combustíveis<br />sustentáveis.</p><p>00;28;22;15 – 00;28;25;08<br />E aí a gente está falando de hidrogênio,</p><p>00;28;25;08 – 00;28;29;20<br />biocombustível,<br />biogás e combustíveis sintéticos.</p><p>00;28;30;01 – 00;28;34;15<br />É possível a gente quadruplicar<br />essa produção até 2035</p><p>00;28;34;25 – 00;28;37;16<br />sem adicionar terra.</p><p>00;28;37;16 – 00;28;40;03<br />Então, a gente não está falando<br />de usar mais terra para fazer.</p><p>00;28;40;03 – 00;28;43;01<br />A gente está falando de ganhos<br />de produtividade.</p><p>00;28;43;01 – 00;28;46;22<br />E a gente está falando de cooperação<br />exatamente nesses tópicos</p><p>00;28;46;22 – 00;28;48;15<br />que eu mencionei pra vocês.</p><p>00;28;48;15 – 00;28;52;27<br />Regras de contabilidade,<br />regras de sustentabilidade, financiamento</p><p>00;28;53;08 – 00;28;57;20<br />pra gente poder quadruplicar<br />e a importância disso é exatamente a gente</p><p>00;28;57;20 – 00;29;00;21<br />criar esses substitutos<br />pros combustíveis fósseis</p><p>00;29;01;00 – 00;29;04;25<br />Laís, a gente não pode encerrar<br />esse episódio sem te perguntar</p><p>00;29;05;02 – 00;29;09;02<br />sobre a sua liderança na Associação<br />de Mulheres Diplomatas do Brasil.</p><p>00;29;09;18 – 00;29;13;05<br />O setor de energia<br />e a diplomacia de alto nível</p><p>00;29;13;05 – 00;29;17;04<br />são historicamente ocupados<br />majoritariamente por homens.</p><p>00;29;17;17 – 00;29;21;08<br />Como que a maior presença de mulheres<br />em cargos de decisão</p><p>00;29;21;17 – 00;29;26;07<br />no Ministério das Relações Exteriores<br />e em divisões técnicas como a de energia,</p><p>00;29;26;07 – 00;29;31;09<br />influencia na forma como o Brasil negocia<br />acordos para a transição energética?</p><p>00;29;33;16 – 00;29;36;11<br />Bom, primeiro eu acho muito importante</p><p>00;29;36;11 – 00;29;40;16<br />que a diplomacia reflita<br />a população que ela está representando.</p><p>00;29;40;22 – 00;29;45;16<br />Então a gente não pode ter<br />um país como o Brasil</p><p>00;29;45;25 – 00;29;49;28<br />com uma diplomacia essencialmente<br />masculina e branca como a gente tem hoje.</p><p>00;29;49;28 – 00;29;52;29<br />Então é um déficit de representação,<br />com certeza.</p><p>00;29;53;16 – 00;29;57;16<br />Em primeiro lugar e em segundo lugar,<br />é uma questão de justiça.</p><p>00;29;57;17 – 00;30;00;01<br />As mulheres são 50% da população</p><p>00;30;00;01 – 00;30;03;18<br />e a gente tem que estar representado<br />em todos os espaços de poder.</p><p>00;30;03;23 – 00;30;05;28<br />E o Brasil tem um déficit</p><p>00;30;05;28 – 00;30;10;01<br />grande de representação de mulheres,<br />não só na diplomacia.</p><p>00;30;10;01 – 00;30;12;06<br />Na diplomacia a gente tem 23% de mulheres.</p><p>00;30;12;06 – 00;30;14;13<br />Infelizmente, na média,</p><p>00;30;14;13 – 00;30;16;29<br />mas também no Parlamento, por exemplo,</p><p>00;30;16;29 – 00;30;20;00<br />é outro espaço de poder em que a gente tem</p><p>00;30;20;07 – 00;30;21;04<br />poucas mulheres.</p><p>00;30;21;04 – 00;30;24;07<br />Então é esse tem sido e essa</p><p>00;30;24;07 – 00;30;27;10<br />tem sido uma luta grande das mulheres diplomatas.</p><p>00;30;27;15 – 00;30;30;21<br />A nossa associação foi criada em 2023.</p><p>00;30;31;11 – 00;30;36;02<br />Eu sou a segunda presidente e o nosso trabalho<br />tem sido,</p><p>00;30;36;02 – 00;30;39;02<br />em primeiro lugar, de chamar a atenção<br />para esse problema.</p><p>00;30;41;06 – 00;30;44;04<br />E, de fato, sempre</p><p>00;30;44;04 – 00;30;46;17<br />pedir mais mulheres no espaço de poder.</p><p>00;30;46;17 – 00;30;49;19<br />Mas eu acho que a diversidade, não</p><p>00;30;49;19 – 00;30;53;10<br />só a presença de mulheres,<br />mas a diversidade nos times.</p><p>00;30;53;26 – 00;30;58;29<br />Ela sempre traz muita riqueza<br />para as nossas posições.</p><p>00;30;58;29 – 00;31;04;13<br />Eu acho que ter times diversos,<br />ter uma diplomacia diversa</p><p>00;31;04;13 – 00;31;05;26<br />vai nos ajudar a ser melhores,</p><p>00;31;05;26 – 00;31;09;00<br />porque a gente vai ter diferentes<br />perspectivas contempladas</p><p>00;31;09;13 – 00;31;13;14<br />e a gente vai conseguir captar a realidade<br />de um jeito mais completo</p><p>00;31;13;25 – 00;31;17;01<br />e trabalhar também<br />de um jeito mais completo, mais dinâmico.</p><p>00;31;17;01 – 00;31;21;23<br />Cada um trazendo a sua experiência,<br />a sua bagagem pessoal</p><p>00;31;22;11 – 00;31;24;29<br />para construir essa diplomacia</p><p>00;31;24;29 – 00;31;29;06<br />ativa e eficiente que<br />que a gente quer e que o Brasil merece.</p><p>00;31;29;22 – 00;31;30;27<br />Então,</p><p>00;31;31;27 – 00;31;32;17<br />a gente.</p><p>00;31;32;17 – 00;31;36;00<br />Eu sou muito orgulhosa<br />sim, das mulheres diplomatas por terem</p><p>00;31;36;19 – 00;31;41;04<br />ido à frente, fundado essa associação<br />e vamos torcer para que a gente consiga</p><p>00;31;41;21 – 00;31;46;28<br />nos próximos anos, a nossa principal pauta<br />ou nossa principal reivindicação,</p><p>00;31;46;28 – 00;31;51;17<br />que é uma política institucionalizada<br />de paridade de gênero</p><p>00;31;52;10 – 00;31;55;24<br />e de paridade, eu estou dizendo 50% de mulheres</p><p>00;31;55;24 – 00;31;58;24<br />em todas as classes,<br />em todos os cargos de poder.</p><p>00;31;59;06 – 00;32;02;11<br />E isso é algo que vai fazer<br />muita diferença para o Brasil.</p><p>00;32;02;11 – 00;32;05;22<br />Com certeza a gente vai continuar<br />lutando para que isso aconteça.</p><p>00;32;07;00 – 00;32;11;21<br />Parabéns por esse trabalho que você<br />vem desempenhando Lais, não só na diplomacia</p><p>00;32;11;21 – 00;32;16;11<br />energética, como também nessa busca<br />por maior representatividade na diplomacia</p><p>00;32;17;02 – 00;32;21;13<br />Acho que deu pra gente aprender bastante<br />sobre a diplomacia energética, esclareceu</p><p>00;32;21;13 – 00;32;26;01<br />muitos pontos que conseguimos conversar<br />sobre diferentes setores diferentes</p><p>00;32;27;22 – 00;32;29;29<br />e áreas de atuação da diplomacia.</p><p>00;32;29;29 – 00;32;30;19<br />Queria que você</p><p>00;32;30;19 – 00;32;34;07<br />agora ficasse um pouco à vontade<br />para adicionar algum comentário final</p><p>00;32;34;18 – 00;32;37;18<br />sobre algum dos tópicos<br />que a gente abordou hoje.</p><p>00;32;39;09 – 00;32;39;26<br />Obrigada!</p><p>00;32;39;26 – 00;32;42;19<br />Para mim foi um grande prazer<br />conversar com vocês.</p><p>00;32;42;19 – 00;32;47;10<br />A diplomacia parece às vezes complicada,<br />mas na verdade</p><p>00;32;48;07 – 00;32;50;27<br />ela também é feita de pessoas</p><p>00;32;50;27 – 00;32;55;21<br />e é um pouco<br />esse conjunto de perspectivas.</p><p>00;32;55;21 – 00;33;00;16<br />Mas o que a gente tem tentado fazer<br />é sempre defender</p><p>00;33;00;26 – 00;33;05;02<br />e olhar para a transição energética<br />com o olhar do Brasil</p><p>00;33;05;11 – 00;33;07;13<br />e com o olhar dos países<br />em desenvolvimento.</p><p>00;33;07;13 – 00;33;12;15<br />Então eu<br />acho que essa é a diferença do Brasil</p><p>00;33;12;25 – 00;33;18;00<br />quando está atuando nesses foros<br />e trazer essa perspectiva muito própria.</p><p>00;33;18;12 – 00;33;24;08<br />O Brasil é um país com complexidades,<br />é um país que não cabe</p><p>00;33;24;19 – 00;33;28;08<br />muito bem em certas caixinhas. E aí</p><p>00;33;30;08 – 00;33;34;19<br />essas características próprias do Brasil<br />e que dão para a gente</p><p>00;33;35;10 – 00;33;38;23<br />esse toque especial que eu</p><p>00;33;38;23 – 00;33;43;11<br />acho que a gente traz sempre<br />para as negociações dos debates.</p><p>00;33;43;16 – 00;33;48;03<br />Sempre tentar olhar para os problemas<br />com uma perspectiva diferente.</p><p>00;33;48;16 – 00;33;52;14<br />Então, eu acho que a gente tem que pensar agora</p><p>00;33;52;14 – 00;33;57;14<br />olhando para os desafios que a gente tem<br />para o futuro, num contexto internacional</p><p>00;33;57;14 – 00;34;02;00<br />muito mais complexo<br />e muito mais conturbado,</p><p>00;34;02;00 – 00;34;06;10<br />em que talvez algumas certezas<br />ou alguns conceitos</p><p>00;34;06;10 – 00;34;09;29<br />que a gente achava que estavam pacificados<br />estão sendo questionados.</p><p>00;34;11;07 – 00;34;15;17<br />A transição energética<br />em si está sendo questionada.</p><p>00;34;15;17 – 00;34;18;17<br />Então, acho que isso<br />coloca desafios para nós.</p><p>00;34;18;27 – 00;34;21;14<br />Mas eu acho que o que faz a gente continuar</p><p>00;34;21;22 – 00;34;27;03<br />acreditando é essa, essa via mesmo<br />da justiça, do desenvolvimento.</p><p>00;34;27;03 – 00;34;31;18<br />E pensar que a transição energética<br />ela pode e com certeza</p><p>00;34;31;18 – 00;34;35;07<br />oferece oportunidades para o Brasil,<br />para os países em desenvolvimento.</p><p>00;34;35;15 – 00;34;38;14<br />E a gente vai lutar<br />para que a gente possa aproveitar</p><p>00;34;38;14 – 00;34;43;14<br />essas oportunidades, não reverter<br />os ganhos que a gente já tem de transição.</p><p>00;34;43;14 – 00;34;47;03<br />Mas, ao contrário,<br />a gente vai manter a nossa posição</p><p>00;34;47;09 – 00;34;50;26<br />de que é necessário<br />reduzir emissões no setor energético e aí,</p><p>00;34;50;26 – 00;34;53;26<br />domesticamente pro Brasil<br />fica sempre o desafio</p><p>00;34;53;26 – 00;34;56;25<br />de manter essa alta renovabilidade<br />da nossa matriz</p><p>00;34;57;05 – 00;34;59;03<br />A medida que a gente vai adicionando</p><p>00;35;00;09 – 00;35;01;27<br />energia na matriz.</p><p>00;35;01;27 – 00;35;07;06<br />apesar dessa mudança do contexto internacional<br />o Brasil vai continuar defendendo</p><p>00;35;07;23 – 00;35;12;12<br />a transição energética e os debates<br />nesses fóruns com muito afinco</p><p>00;35;13;04 – 00;35;17;29<br />e segue sendo algo muito caro para nós e<br />para a diplomacia brasileira.</p><p>00;35;18;18 – 00;35;22;08<br />Muito obrigada, Laís, por compartilhar<br />seu conhecimento, sua visão</p><p>00;35;22;16 – 00;35;25;16<br />e agradeço também a você<br />que nos acompanhou até agora.</p><p>00;35;25;21 – 00;35;28;03<br />Esse foi o podcast Caminhos da Transição.</p><p>00;35;28;03 – 00;35;31;07<br />Se você gostou,<br />eu te convido para fazer a sua avaliação,</p><p>00;35;31;08 – 00;35;33;21<br />seu comentário,<br />enviar o link desse episódio</p><p>00;35;33;21 – 00;35;36;11<br />para quem precisa saber mais<br />sobre o assunto.</p><p>00;35;36;11 – 00;35;37;21<br />Te espero no próximo episódio</p>