TAXONOMIAS DE FINANÇAS SUSTENTÁVEIS

Organizado pelo CEFD e pelo Finance for Development Lab, o Webinar reuniu formuladores de políticas do México, Senegal e Brasil com especialistas internacionais para debater o presente e o futuro das taxonomias de finanças sustentáveis.

O Centro de Estudos de Finanças e Desenvolvimento (CEFD) e o Finance for Development Lab (FDL) promoveram um debate estratégico sobre o papel das taxonomias de finanças sustentáveis. Discutiram o cenário global marcado pela fragmentação econômica. O evento online, ocorrido no dia 18 de março de 2026, reuniu formuladores de políticas do Brasil, México e Senegal para diagnosticar os desafios de implementação e interoperabilidade dessas ferramentas. O evento foi moderado pelo fundador da CEFD, Nicolas Lippolis, e a pesquisadora do FDL, Sima Kammourieh.

Kate Levick, diretora associada para finanças e resiliência da E3G, consultoria do Reino Unido, abriu o painel. Ela destacou que as taxonomias, surgidas na China em 2015, hoje estão presentes em mais de 50 países. Enquanto a Europa centra foco no investimento doméstico, mercados emergentes utilizam as taxonomias para atrair capital externo e validar títulos soberanos. Levick alertou que a falta de clareza nos objetivos pode paralisar a adoção, citando o caso britânico como exemplo.

Regina Rosales, diretora geral de Fóruns Internacionais e Finanças Sustentáveis do Ministério da Fazenda e Crédito Público do México, detalhou a robusta taxonomia mexicana, que inclui critérios de mitigação, adaptação e um índice inédito de igualdade de gênero. Um programa-piloto revelou que apenas 3% das operações bancárias estavam alinhadas, evidenciando a escassez de dados de pequenas e médias empresas.

Representando uma economia em estágio inicial de desenvolvimento financeiro, Laity Ndiaye, Assessor Técnico da Direção-Geral do Setor Financeiro do Ministério das Finanças e Orçamento do Senegal, descreveu o cenário global como um “mosaico”. A taxonomia senegalesa prioriza seis setores estratégicos e busca interoperabilidade com referências da União Europeia e de blocos africanos.

Matias Rebello Cardomingo, do Ministério da Fazenda do Brasil, apresentou a “super taxonomia” brasileira, desenhada para reorientar o modelo de desenvolvimento nacional. O modelo brasileiro se diferencia pela inclusão de um índice de equidade racial e foca em cinco eixos, desde o alinhamento de incentivos econômicos até a capacitação do setor produtivo.

Desafios da Implementação

Durante a sessão de perguntas e respostas, os especialistas discutiram a interoperabilidade global, citando iniciativas como a Multilateral Common Ground Taxonomy e o papel do Brasil na COP de Belém.

Quanto à fragmentação geoeconômica, o consenso foi de que a multiplicidade de modelos reflete as necessidades locais de cada país. Ou seja, endereçar riscos climáticos e não necessariamente uma divisão de mercado. Por fim, Brasil e México compartilharam experiências sobre o orçamento verde, na qual a integração das taxonomias às finanças públicas não seguem uma receita única. O conteúdo integral do webinar está disponível no canal do CEFD no YouTube (Caminhos da Transição), com análises complementares na newsletter Geoeconomia da Transição.